Simplificando a pesquisa de opinião

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

Para a maioria das pessoas, pesquisa de opinião ou de mercado é um tema distante ou pouco atraente. Muitos não sabem nem para que servem as pesquisas. Aqueles que miram nas pesquisas eleitorais, consideram-nas uma “caixa preta”, uma ferramenta utilizada para influenciar os eleitores nos processos eleitorais.

Todos os dias emitimos opiniões sobre os mais variados temas, assim como temos nossas preferências e estilos de vida. E as pesquisas de opinião e de mercado buscam mapear e compreender por que somos como somos.

Quando se fala nesse tipo de pesquisa há muitas dúvidas sobre MÉTODO e AMOSTRA.
Para se pensar no método é necessário ter clareza sobre o tema a ser estudado e o público a ser entrevistado.

Imagine que queremos saber a posição da população sobre o aumento de ICMS proposto pelos estados. Então, nosso público-alvo é o cidadão de um Estado como o RS, a partir de 18 anos de idade, de todas as classes sociais. A primeira tarefa é compreender onde essas pessoas estão. Se temos mais de 40% da população em Porto Alegre e região metropolitana, teremos que ter uma amostra com esta representação. Por isso que se diz que a pesquisa é um retrato da realidade!

Com este mapeamento definimos o MÉTODO. Para ser representativa da população precisa ser uma pesquisa quantitativa, com controles para garantir a probabilidade. A probabilidade é a capacidade de permitir que todas as pessoas tenham a mesma chance de serem entrevistadas.

De posse do método, temos que definir a amostra. E a grande pergunta seria: como um Estado de 11 milhões de habitantes pode ser representado por mil entrevistas?
O segredo da AMOSTRA está em sua capacidade de “fotografar” os vários elementos que compõem a realidade, de reproduzi-la com as mesmas proporções socioeconômicas da população. É como um exame de sangue. Uma pessoa adulta tem em média seis litros de sangue e, em um exame para detectar colesterol no sangue, se tira alguns poucos mililitros.

Após definir o objetivo, o público, o método de pesquisa e a amostra, o próximo passo é deliberar a FORMA DE COLETA. Essa pesquisa seria realizada de forma presencial, por telefone ou pela internet? Ou de forma híbrida, misturando diferentes formas de abordagem? Pessoas com maior faixa etária gostam de dar entrevista pessoalmente. As pessoas que trabalham e correm todo o dia, gostam de marcar uma agenda por telefone e a galera jovem adora responder de forma digital.

Mas não adianta saber como realizar a pesquisa sem ter um bom QUESTIONÁRIO, que também é chamado de instrumento de pesquisa. Muitas pessoas acreditam que as perguntas são a parte mais fácil, mas não é bem assim.

Toda pergunta deve ser baseada em hipótese, que são as crenças em relação a uma realidade. No caso da proposta de aumento do ICMS, além de perguntar a posição do entrevistado de forma espontânea e entender a sua justificativa, seria necessário realizar testes estimulados sobre o conhecimento dele em relação à reforma tributária do país e a suas consequências para o futuro de cada estado.

E quando as perguntas são realizadas com técnica e estratégia, permitem análises mais eficazes sobre as certezas e as incertezas de uma população. Este é o trabalho do sociólogo, utilizar a ciência para compreender a sociedade!

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