As mudanças de estações climáticas nos obrigam a recompor e refazer hábitos desde tipos de vestuário até rotinas diárias. Por força das circunstâncias uma adequação se faz necessária.
Na época da Páscoa um movimento interno começa a se processar no íntimo da maioria das pessoas. Uma vontade de inovar sentimentos, adaptar posturas à realidade do cotidiano, restaurar energias, reiniciar tarefas deixadas no abandono do “depois eu faço”, revigorar algum setor da vida que precisa de reparos.
Ontem, me convidaram para ir conversar com um grupo de mulheres a respeito da Semana Santa. Infelizmente, por motivo alheio a minha vontade, tive que declinar do pedido.
No entanto, ao desligar o telefone, comecei a pensar sobre esse período do ano que, apesar de associado ao apelo dos deliciosos chocolates que nos deixam com água na boca, traz consigo, também, um apelo à renovação e libertação.
Todos repetem que Páscoa significa ressurreição, mas poucos sabem que Páscoa quer dizer passagem, porque recordava aos hebreus a saída do Egito e a entrada na Terra Prometida.
De longa data, no desenrolar da história da humanidade vem se processando a celebração da travessia da reforma. De tudo o que em nós precisa e deve ser reavivado.
Uno a palavra ao gesto com muita facilidade. Portanto, a minha atitude na Páscoa é a de esvaziar gavetas que guardam o inútil e o agradável; revisar peças de roupas que podem ser doadas; restaurar memórias que se acotovelam em espaços congestionados; reler algum dos livros que ocupavam minha mesa de cabeceira em outros tempos; repetir o quanto amo a minha família, os meus amigos e amigas sem receio de parecer espaçosa demais; reescrever cartas que deixei de enviar e remetê-las aos destinatários, rasgar papéis acumulados sem razão alguma a não ser a de ter preguiça de jogá-los no lixo.
Pensando bem, além do lixo eletrônico, que amedronta os ambientalistas, existe outro tipo de lixo invisível e nocivo, que vai se amontoando no interior de cada ser humano. A passagem do passado para o presente é dádiva oferecida gratuita e indistintamente a todos que a queiram atravessar.
Mãos à obra, então. Que tal a ideia de perguntar a si mesmo o que precisa ser renovado. Que proposta de inovação será feita?
O novo se avizinha com promessas de grandes realizações e muitos desafios e, para tanto, se faz imprescindível uma dose extra de ternura. Ternura por si próprio, ternura com o próximo. Lembrando que o amor é a alavanca para a passagem.
Que nessa Páscoa se renovem as esperanças com a força e a determinação de que cada um é capaz, que se restaurem os laços, se desatem os nós e que os braços sejam longos para abraçar o futuro que começa hoje.
BOA PÁSCOA!





