Reeleição histórica no RS

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

A primeira reeleição do RS ocorreu em um momento ímpar da política brasileira e com um candidato que soube utilizar seus atributos pessoais como diferenciais competitivos. Eduardo Leite foi o primeiro governador a se reeleger e esta conquista histórica está associada a um conjunto de SUPERAÇÕES.

O maior desafio de Eduardo Leite foi regionalizar o debate e segurar o “voto casado”, mostrar para os gaúchos que eram duas distintas eleições e que o RS deveria “falar mais alto”. Ao manter sua neutralidade em uma eleição radicalizada, não se submeteu a polarização nacional e ressignificou a sua identidade como líder político.

Esta estratégia permitiu a atenção à pauta da continuidade e o destaque dos seus feitos e de suas propostas futuras. Comparativamente aos seus antecessores que tentaram a reeleição, o ex-governador Eduardo Leite detinha um maior índice de avaliação positiva (ótimo e bom) e de uma melhor reputação pessoal, mais de 60% dos gaúchos avaliavam sua imagem de forma positiva.

O mandato do governador Eduardo Leite foi ímpar. Conseguiu alinhar diferentes atributos: como carisma pessoal, habilidade de retórica e persuasão, capacidade de diálogo e articulação. Gestão técnica baseada em resultados e um governo de continuidade com evolução, visando a transformação do Estado a médio e longo prazo. Salvaguardando todas as proporções conjunturais e histórica, Eduardo Leite se mostra tão habilidoso como Getúlio Vargas, conseguindo administrar com maestria pautas sociais e respeito aos direitos humanos dentro de um cenário de política liberal e privatizações. Esse perfil pessoal e de governo conferiu a Eduardo Leite a capacidade de receber o voto crítico do PT, mesmo sem retribuir o apoio a Lula.

Não podemos esquecer que uma campanha de segundo turno é considerada uma eleição plebiscitária, que avalia “se o governo fica ou sai”. E a reeleição de Eduardo também precisa ser analisada pelo desempenho da campanha de seu concorrente.

Onyx Lorenzoni não se posicionou como um candidato de mudança, como alguém que tinha uma proposta de governo mais assertiva ou que poderia fazer melhor do que Eduardo. Ao contrário, sua campanha centrou-se em uma pauta nacional, apostando em sua atuação como ministro e na dependência identitária e ideológica com Bolsonaro, sem contar com a habilidade populista do mesmo. Onyx também vacilou ao ficar aprisionado a uma narrativa religiosa e ao não reconhecer a importância da vacina, perdeu a conexão com os gaúchos que acreditam que a mesma foi a chave para a superação da pandemia.

O ápice da superação de Eduardo Leite está associado ao perdão do eleitor gaúcho. O ex-governador desgastou sua imagem na pré-campanha nacional para presidente, saga que começou com a derrota nas prévias do PSDB, passando pela renúncia, críticas à pensão de ex-governador e se acirrou com a acusação de quebra da promessa de não concorrer à reeleição.

O governador reeleito marca posição na história do RS e se cacifa como uma alternativa de terceira via para o pleito de 2026.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome