Muito tem se falado em novos tempos, nova era, novo normal, mas quem realmente seremos depois que tudo isso passar? Desde o início da pandemia e com a tecnologia tomando uma proporção jamais vista, numa rapidez que jamais pensávamos que seria possível, eu por hora cética, por hora realista, por hora pessimista, refleti muito sobre a seguinte questão: realmente teremos um mundo diferente após tudo isso passar?!
Uma das maiores referências que tive na minha vida foi minha bisavó, que faleceu aos 104 anos, no auge dos meus 24. Tive a oportunidade de ter muitos diálogos com ela, muitos. Sempre curiosa, eu queria saber o que ela já tinha tido de experiências, afinal como alguém que nasceu há mais de um século se tornou alguém tão especial? Eis que a resposta dela estava sempre voltada para como nós mesmos pensamos, sentimos e nos comportamos em relação às adversidades.
Para quem nasceu em 1909, na zona rural de Manoel Viana, descendente de imigrantes, uma mistura de escravos e nobres portugueses, na qual muitos foram deserdados por causa desta união, depois vindo a ter dez filhos, sobrevivendo a mudanças culturais, políticas e econômico-sociais, acredito que ela deva ter vivido uns bons bocados e que algum ensinamento tinha pra passar.
Ela falava que o mundo sempre teve seus altos e baixos, guerras, crises, doenças nos seus mais diversos níveis, incertezas e mudanças drásticas, mas o que realmente importava era como as pessoas enfrentavam tudo isso, era a forma como cada um se posicionava que fazia a diferença.
Então passei a olhar para o que as pessoas dizem sobre o novo mundo, a nova era, o novo normal e passei acolher melhor. Sim, o mundo já mudou, a pandemia mudou o fluxo de muitos processos, mudou a ordem de muitas coisas, muitas coisas não voltarão a ser como antes, mas percebam uma palavra que faz toda diferença: coisas! É, as coisas mudaram, mas e as pessoas? E nós? Mudamos? Mudaremos? É uma pandemia que nos mudará?
Eu acredito na teoria de que verdadeiras mudanças acontecem de dentro pra fora. Elas precisam ser genuínas, sinceras, verdadeiras, proativas – partindo de nós. E que feitos externos podem ser motivadores ou não para esta mudança acontecer, mas não pré-requisitos.
Mudamos porque sentimos necessidade de dar mais sentido às nossas vidas, mudamos porque queremos viver as nossas próprias verdades, mudamos porque nos sentimos desconectados, mudamos porque algo dentro de nós sente alguma dor. E sim, coisas externas nos motivam a mudar, apenas nos motivam, mas o que de fato nos ajuda a escolher e praticar a mudança é algo que está dentro de nós.
Te convido então a esta reflexão: quem tu serás depois desta pandemia? E quem tu estás sendo durante este momento tão desafiador? Entender que dentro de nós está a chave para a abertura de muitas portas, nos ajuda a superar de forma mais consciente cada desafio.



