
Portugal prepara grandes homenagens para novembro, quando no dia 25, o calendário registrará 180 anos do nascimento de José Maria Eça de Queiroz, um dos mais importantes escritores a usar a “ língua de Camões” em todos os tempos.
Seu pai, José Maria Teixeira de Queiroz – brasileiro – nasceu no Rio de Janeiro. Sua mãe, Carolina Augusta D’Eça, natural de Portugal.
Além do escritor, que foi o primogênito do casal, José e Carolina Augusta tiveram mais seis filhos e a junção dos sobrenomes de ambos cunhou o composto “ Eça de Queiroz”.
Dito isso, divido com os leitores uma dúvida: qual seria o parentesco existente entre o autor de “ Os Maias”, “ O Crime do Padre Amaro” e os Eça de Queiroz de Pelotas, família que tinha o mesmo sobrenome composto?
O patriarca pelotense, José Bonerges, também era nascido em Portugal e sua filha Maria, foi destacada rainha do Clube Diamantinos.
Quem for ao cemitério da Santa Casa no dia de finados, poderá encontrar na parte antiga um imponente jazigo perpétuo – em mármore de Carrara – identificando que ali estão sepultados vários integrantes da família Eça de Queiroz.
As raízes do escritor português estão em Póvoas de Varzim e na Vila do Conde.
Seu pai era um graduado juiz e a mãe do mesmo, diz a lenda, foi proibida pela família de casar com o magistrado, sonho que só conseguiu realizar quando o futuro escritor já tinha quatro anos de idade e a avó da criança faleceu. Exatamente seis dias após o falecimento da sogra, José casou com Carolina Augusta.
Ser gerado fora do casamento, naquela época era motivo de vergonha familiar e exigia estratagemas sociais para “ proteger “ o nome das famílias.
Certamente o escritor sofreu com isso e sua biografia resulta tão interessante quanto algumas das obras que escreveu, justamente pelas nuances sociais em voga naqueles tempos, em ambos os lados do Oceano, ressalte-se.
Admitiam os Eça de Queiroz de Pelotas o possível parentesco com aquele escritor famoso nascido fora do casamento?
Ou como ouvi uma vez, reconheceriam como parente aquela “bela flôr nascida fora do canteiro”?



