Por que a vida do outro chama tanto a nossa atenção?

A resposta é super simples: porque não é a nossa vida. Simples assim. A vida do outro nos chama a atenção porque não precisamos estar envolvidos com nada. Porque o assunto não nos exige nenhuma ação, porque quando é sobre o outro e não sobre nós, tudo parece ter mais graça.

Apesar de não assistir, é impossível não acompanhar tudo que está acontecendo no Big Brother Brasil, tem pano pra manga esta edição, mas não é nem sobre a edição especificamente que quero falar, é sobre a nossa postura como seres humanos sedentos por ver as pessoas se comportando assim ou assado, queremos ver ação, reação, emoção. Nos sentimos encantados, inspirados, conectados com o que se passa horas a fio pela telinha e que esconde duras realidades.

São milhares de pessoas sentados frente à televisão querendo ver o que estão fazendo, o que comeram, se brigaram, como reagiram na prova do líder. Suportaram? Alguém chorou? Infringiram as regras? Alguém não aguentou e pediu pra sair?

Quando as coisas fogem do controle aí parece que fica melhor ainda, a audiência aumenta, os comentários aumentam, os posicionamentos também. Julgamos os certos, os errados, damos opinião, fazemos análises, sugerimos ações, prescrevemos aquilo que eles deveriam fazer.

Mas por que assim como dedicamos horas das nossas vidas para analisarmos o que os outros estão fazendo, e não só analisar, mas se envolver e inclusive, aconselhar mudança, não usamos o mesmo tempo com nós mesmos? Porque ainda é tão difícil olharmos para nós mesmos e focarmos no nosso próprio desenvolvimento? Por que ainda milhares de pessoas olham pra fora e não para dentro?

Porque olhar para dentro dói, exige maturidade, exige coragem, energia, reflexão. Olhar para dentro talvez ainda seja fácil, porque o difícil mesmo é mudarmos, é acordarmos com atitudes diferentes, é nos transformarmos e talvez isso sim seja muito mais complexo, porque quando é com o outro parece fácil, simples, porque eu tiro de mim a responsabilidade, eu simplesmente direciono, oriento, eu não preciso me movimentar, eu não vou sentir, nada vai me incomodar, mas quando o personagem principal sou eu, é de mim que esperam a mudança, sou eu que preciso me adaptar, aí sim, as coisas ficam diferentes, aí o encanto muda, a audiência cai, o envolvimento e o engajamento ficam baixos, falta tempo e argumento.

Infelizmente, ainda estamos fazendo parte de um mundo assim, que olha para fora, que aponta o dedo, que enche o peito para encontrar soluções para a vida alheia, mas que pouco olha para si, que pouco busca conhecer a si mesmo, que pouco se encanta pela própria vida.

E eu ainda me questiono o tempo todo, será que um dia vamos chegar no ponto de que o mais emocionante será o momento em que estaremos dedicando tempo a olhar para nós mesmos? Ou será que esse tempo nunca vai chegar?

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