Pingos

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

Com certa facilidade, quem aprecia estudar história volta e meia encontra cavalos lendários citados junto às referências a seus proprietários. O imperador Calígula teve o “Incitatus” e, num gesto político sempre lembrado, nomeou seu cavalo inteligente e fiel para uma cadeira (uma baia, melhor dizendo) de senador de Roma. Ao menos o equino não propôs nenhuma lei absurda e também não foi o primeiro relincho ouvido por lá, dizem alguns italianos de hoje.

Napoleão, na França, imortalizou dois cavalos — devidamente pintados em várias telas e, desde então, com suas estampas repetidas à exaustão —: “Marengo” e “Vizir”, este último até hoje atraindo turistas que o visitam no Museu Militar, onde permanece bem empalhado em Paris.

O próprio Dom Pedro II, homem com mais de 1,90 m de altura, tinha um senhor cavalo no qual montava. O “Gladiador” era robusto e fogoso, um equino berbere que recebeu de presente em 1843.

No Rio Grande do Sul também tivemos cavalos míticos, mais lembrados pela pelagem do que pelos nomes que certamente possuíam.

Eles aparecem em narrativas diversas, como o cavalo do General Netto, que o cinema prefere pintar de branco por razões artísticas, mas que era um fogoso alazão, quase tão vermelho quanto o lenço do general que proclamou a independência do Rio Grande do Sul naquele 11 de setembro de 1836.

Falou-se muito no cavalo mouro do Coronel Albano, que, assim como seu ginete, é muito pouco lembrado nos dias de hoje — aliás, sobre ambos já escrevi e publiquei não faz tanto tempo.

E há um cavalo cuja existência mereceria mais atenção de quem aprecia o assunto: o pingo de montaria do General Osório. Refiro-me ao cavalo usado pelo patrono da Cavalaria Brasileira quando Osório foi ferido pela segunda vez em batalha, na Guerra do Paraguai (tempos depois, foi alvejado na face). Era um espetacular gateado, que terminou seus dias no Cerro do Baú, no Herval, no campo do guapo Astrogildo Pereira da Costa, que o recebeu de presente do próprio general ferido — honraria maior que muitas medalhas que alguém poderia almejar naqueles tempos de combate.

Qualquer dia reúno outra tropilha e trago para este pequeno potreiro.