O medo de sair da zona de conforto

Como seres humanos normais, temos medo de mudar, medo do risco, das consequências, de perder a “estabilidade” na qual vivemos. Isso faz parte da natureza humana, pois o nosso desenvolvimento caminha para um mundo estável e seguro, onde a gente não precise mais lutar para sobreviver, mas apenas viver.

O que acontece é que como bons seres humanos que somos, também temos as nossas dificuldades, principalmente aquelas relacionadas para separar o joio do trigo. Temos dificuldades para filtrar e separar aquilo que é comodidade, estagnação, daquilo que é de fato um risco para as nossas vidas.

Lembro que na minha infância eu tinha muito medo de mudar. Jamais vou esquecer da mudança da sala de jantar da casa da minha avó, quando ela trocou a mesa por um jogo novo. Eu desesperei, não queria me separar daquelas cadeiras. Ao longo da minha vida fui percebendo que este “apego” a deixar as coisas como estão era um desafio meu, interno, um pensamento e comportamento que eu precisaria desenvolver para poder sair do lugar. Não só do lugar físico, mas para que eu pudesse abrir a minha mente.

E aos poucos a vida vai puxando a gente para este tipo de situação, para este tipo de experiência e vamos tendo que nos moldar, adaptar, para fazer parte do contexto. No entanto, nem sempre isso é ruim. Fazer parte do contexto é lidar com as adversidades da melhor maneira possível, mesmo que elas não façam parte da nossa lista de atividades da vida diária.

Enfim, as mudanças foram por si só acontecendo na minha vida, não só mudanças de casa, de cidade, como já falei por aqui sobre impermanência, mas as mudanças de pensamentos, de sentimentos, de emoções, as experiências práticas. E tudo que fui vivendo os lugares que conheci, as culturas diferentes, as pessoas, suas histórias, tudo isso foi fazendo com que eu me desafiasse e visse que a zona de conforto é o lugar de mais riscos dessa vida. Não é fora dela que estão os maiores riscos, os mais graves não estão na instabilidade, nas inconsequências responsáveis.

Os maiores riscos estão naquele lugar de inércia, de falta de desafios internos, dentro de nós mesmos. Quando a gente não quer mudar, não quer se desafiar, às vezes de forma inconsciente a nossa vida se torna um grande risco, não só material, de perdas e ganhos, mas um risco de perder de viver de verdade a vida, porque a vida não foi desenhada para ser estável, mas para nós caminharmos por ela e sermos os mais experimentadores possíveis.

E você, por onde andas? Correndo riscos ou não? A vida é um grande e belo risco. Acredite!

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