O casco e a saúde do cavalo

Os cavalos não são apenas animais fortes e imponentes para a lida no campo. Os equinos são animais ágeis e com uma beleza sutil na sua andadura. Não obstante, são animais com uma relação muito próxima com o homem do campo, tanto quanto cães e gatos são para as pessoas que moram em zonas mais urbanizadas. Seja para trabalho, esporte ou lazer, a saúde dos cavalos necessita de cuidados, e uma parte disso se passa pelos cascos.

Ao longo dos séculos, os ancestrais do cavalo que temos hoje foram evoluindo para se tornarem mais rápidos. Essa evolução se deu tanto no crescimento em altura e massa corporal, quanto na diminuição do número de dedos, ao ponto em que chegou ao que temos hoje: apenas um dedo em cada membro torácico/pélvico. Isso deu uma conformação mais ágil, visto que ele demora menos tempo com contato no solo. Porém, para ter uma correta conformação tanto ao passo quanto em movimentos mais rápidos (como o galope), o casco necessita de cuidados específicos.

O casco é uma estrutura de tecido córneo que reveste as últimas falanges dos cavalos. Ou seja, é um tecido similar ao das unhas dos seres humanos e das garras de carnívoros, porém com uma função diferente. Ele recobre todas as estruturas ósseas, tendíneas e articulares (principalmente ligamentos) que entrariam em contato direto com o solo caso ele não existisse. Portanto, ele é o principal conjunto de estruturas que absorve o impacto e redistribui de uma forma que impede lesões no aparelho locomotor dos cavalos. Além disso, ele também permite as mãos e pés dos equinos suportarem o peso do animal, sendo que 60% do peso corpóreo é apoiado nos membros anteriores e 40% nos posteriores.

Inúmeros fatores podem ser elencados para se falar da saúde dos cascos, mas o principal é quando relacionamos aos aprumos. Um casco equilibrado vai redistribuir as forças de impacto de forma que nenhuma estrutura interna vai sofrer sobrecarga evitando lesões e permitindo uma andadura saudável. Tanto os defeitos de crescimento quanto nutricionais vão ser vistos numa má conformação de casco. Até mesmo defeitos de aprumos articulares nos jarretes ou nos boletos podem ser corrigidos com casqueamento e ferrageamento.

Os cascos podem sofrer de rachaduras, que são defeitos nutricionais por falta de vitaminas, ou por muito contato com solo seco e duro. Outro problema muito comum é quando ocorre infecção causada por bactérias tanto na muralha do casco quanto nas ranilhas (parte mais sensitiva do casco, em formato de V atrás da sola). Isso se dá pela maior quantidade de umidade interna ao casco. Essas enfermidades podem acometer animais criados a campo, em áreas muito úmidas, mas são mais comuns em animais mantidos em cocheiras e que tenham contato com cama úmida ou fezes, onde a limpeza dos cascos não é feita e esses microrganismos ultrapassam as paredes externas do casco, chegando a uma área mais úmida e desenvolvendo os sinais clínicos.

Avaliar periodicamente a conformação e a saúde dos cascos pode prolongar não apenas a vida do cavalo, mas também a aptidão do animal. Um cavalo saudável é um cavalo com casco equilibrado e sem rachaduras. O cuidado com os cascos é fundamental para o cavalo.

Dica veterinária da semana
Limpar diariamente as instalações onde seu cavalo fica, evitando que ele tenha contato com fezes e urina. Além disso, uma limpeza mensal do casco, principalmente na sola e na volta da ranilha é fundamental para evitar podridão. A renovação do casqueamento e do ferrageamento pode ser feita de três a seis meses.

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