Nos caminhos de várias propriedades rurais de municípios como Canguçu, Piratini, Herval, Pinheiro Machado, Pedras Altas, Pedro Osório, Cerrito, Arroio Grande, Jaguarão e outras tantas localidades da Zona Sul do estado, é comum ver famílias tecendo fios e fazendo do artesanato em lã muito mais do que uma fonte de renda, mas sim encontrando na atividade formas de terapia e uma maneira de serem incluídas socialmente.
Para chegar ao “novelo de lã” que irá se transformar em peças do artesanato existe um longo trabalho dos criadores de ovinos e, entre vários exemplos de dedicação está o casal Eber e Maria Luíza Farias, da propriedade Peral da Águia, em Pinheiro Machado.
A família Farias continua por 11 gerações criando ovelhas com foco na lã, eles seguiram o dom dos ancestrais e continuaram o legado de fazer do pampa, um lugar para criar ovelhas, ter carne de qualidade e tirar a lã para tecer os fios, que irão virar peças do vestuário usadas por grande parte dos gaúchos.
Na edição de 2020 na (Feira e Festa Estadual da Ovelha) Feovelha, além dos animais de qualidade, a lã terá mais visibilidade na programação com destaque para o Espaço da Lã, Concurso de Artesanato em Lã e Desfile Moda Lã.
Para que tudo isso possa acontecer de maneira festiva e rentável para as famílias existe um trabalho muito efetivo da extensão rural em toda a cadeia produtiva da ovinocultura. Neste sentido, o acompanhamento durante todo ano dos extensionistas da Emater/RS é fundamental e decisivo.
O certo é que as famílias que se dedicaram a ovinocultura e não esmoreceram diante das dificuldades encontraram a fórmula do “novelo de lã”, eles souberam dar valor ao trabalho agregado e apostaram na criatividade que vem da arte de tecer. Enquanto as agulhas se entrelaçam na construção de novas peças, o pensamento voa. Acho até que famílias artesãs, inconscientemente, praticam uma das lições deixadas por Charles Chaplin: “A persistência é o menor caminho do êxito”.



