Impermanência

Na última semana me mudei, mais uma vez, de cidade e, obviamente de casa. Lá se vão 13 mudanças em 35 anos de vida. Para alguns muito, para outros nada. Para mim, grandes transformações. Confesso que por muito tempo não pensava em sair do lugar, desejava a tal estabilidade, muito em razão das incertezas da minha vida na minha infância. Eu queria ter raízes, tinha como meta de vida ter minha casa própria, desenhava como ela seria. Mas a vida nem sempre sai conforme desenhamos ou planejamos. A real é que a vida está longe de estar sob nosso controle.

Fui me mudando primeiro de casas, depois de cidades, estados, etc, até que tive filhos e parece que de novo as coisas mudaram, as mudanças começaram a me incomodar. Afinal, como vou criar meus filhos nesse vai e vem?! Que base terão? E amigos? A turma do colégio, aquela que eu nunca tive e isso e aquilo, me deixou deprimida, angustiada, ansiosa e estressada. No entanto, fui me transformando e buscando entender e me adaptar a tudo aquilo, que as mudanças nos trazem.

Na penúltima mudança já fui de coração aberto, alma livre e bem otimista, enquanto uns criticavam e me questionavam o porquê da minha escolha. Mas, foi desta última vez que eu realmente me senti mudada, não de casa, mas de pensamento, de sentimento, de emoção. Pela primeira vez me mudo sem culpa, sem vergonha do que vão pensar, sem autocrítica, sem nenhum sofrimento em relação aos filhos, pois a cada dia que passa eu confirmo que filhos só precisam dos pais num único metro quadrado.

Percebi que as crianças enxergam as mudanças como grandes aventuras, como desenhos animados, vão muito mais de coração aberto do que nós, adultos, e isso também ajudou. Conviver com a empolgação dos meus filhos perante a decisão, bem pensada, planejada, calculada da mudança feita pelos adultos.

Mas não foi só isso, algo me dizia mais, algo me chamava para olhar para mim, para a minha essência, para os meus valores mais profundos. Algo me fazia querer compreender o porquê de tudo isso, não só das mudanças em si, mas de toda emoção e comportamento envolvidos.

Na medida em que entendi o que fazia sentido para mim, na medida que fui me conhecendo, entendendo o que me afetava positivamente e o que me afetava negativamente, pude perceber que o meu estado natural é impermanente e que é nisso que eu acredito, por mais que tenhamos propósito, valores, características especiais, a beleza da vida está naquilo que não nos é fixo, naquilo que flui onde está. A beleza da vida está naquilo que muda de opinião, no abraço dos amigos queridos, e não na tal estabilidade que tanto almejamos.

A impermanência é um alívio para a alma, é aquilo que a essência deseja e quer, é aquilo que nos faz transcender e que nos conecta com o que há de mais puro e verdadeiro. Se posso te sugerir algo? Curta a impermanência da vida e deixe muitas vezes que ela guia o teu caminho.

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