Governança pública como instrumento para municípios eficientes e transparentes

Eduardo Gil da Silva Carreira, advogado, membro voluntário da Rede Governança Brasil - RGB e pós-graduando em Governança Pública - EBRADI. (Foto: Divulgação)

A governança pública não é um luxo, mas uma necessidade urgente para municípios que desejam romper com a ineficiência, a opacidade e a desconfiança crônicas que assolam a administração pública brasileira. Em um cenário de recursos escassos e demandas sociais crescentes, não há mais espaço para improvisação ou gestões baseadas em clientelismo e falta de transparência. A governança robusta é um dever ético, um imperativo legal (para alguns órgãos) e a única forma de construir cidades que entreguem resultados concretos aos cidadãos.

Governança pública vai além de uma simples gestão administrativa. Trata-se de um sistema integrado de processos, políticas e mecanismos de controle que garantem que o poder público seja exercido com eficiência, integridade e foco no cidadão. Enquanto no setor privado o objetivo é o lucro, o setor público deve prezar pelo interesse coletivo – e isso exige estruturas sólidas de governança. Municípios que adotam esses princípios não apenas aplicam a legislação, mas também criam um ambiente de confiança e desenvolvimento sustentável. A adoção de mecanismos de governança promove a redução de desperdícios e o ganho de eficiência. Estudos feitos em 2023 pela da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que municípios com governança estruturada economizam até 30% em custos operacionais, recursos que podem ser realocados para áreas essenciais, como saúde e educação. Além disso, a transparência fortalece a credibilidade das instituições. No entanto, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), apenas 12% dos municípios brasileiros possuem portais de transparência em conformidade com a Lei de Acesso à Informação (LAI) – um dado alarmante que revela a necessidade de mudança imediata.

O combate à corrupção também é intensificado com a governança. A implantação de gestão de riscos, comitês de ética e auditorias internas reduz em 40% os casos de irregularidades, conforme dados de 2022 da Transparência Internacional. Essas medidas não apenas coíbem desvios, mas também melhoram a qualidade de vida da população, já que recursos antes perdidos são direcionados para políticas públicas eficazes.

A administração pública deve expor de forma clara suas metas e resultados, permitindo que os gestores sejam avaliados por indicadores públicos. A participação popular, seja por meio de conselhos municipais deliberativos ou consultas públicas, é fundamental para uma gestão democrática e eficiente. Ferramentas digitais, como portais de transparência, sistemas de gestão integrada e plataformas de prestação de contas, são essenciais para modernizar a administração e aproximar o cidadão do governo. A participação de servidores comprometidos e bem capacitados são peças-chave para o sucesso da governança. Investir em treinamento contínuo, estimular a criatividade e promover parcerias com universidades são formas de fortalecer a eficiência do setor público.

A governança pública não é um projeto para o futuro – é uma mudança que precisa ser implementada agora, com coragem e ousadia! Municípios que já adotaram esses princípios colhem resultados expressivos: menores índices de corrupção, maior atração de investimentos, serviços públicos de qualidade e cidadãos mais satisfeitos. A inércia só perpetua a desigualdade, a desconfiança e os interesses de governantes que não priorizam o cidadão. Implementar governança não é apenas observar a lei – é garantir um legado de eficiência, transparência e desenvolvimento para as próximas gerações.

Eduardo Gil da Silva Carreira

Voluntário da Rede Governança Brasil

Pós-Graduando em Governança Pública – EBRADI

@egcarreira20