Há assuntos que me provocam, me instigam, me desestruturam, me afetam
e sobre os quais evito elaborar comentários, tanto quanto possível.
Sem colocar maiores resistências, hoje vou escrever sobre pessoas que
têm por costume jogar balde de água fria no entusiasmo de outros.
Já vi amores se aniquilarem gota a gota por não conseguirem sobreviver a
enxurradas geladas de seus protagonistas. Amizades desmoronarem por absoluta
falta de tato, de cuidado no que se refere à dose de descaso, ou pouco
caso de uns, com o que é importante para alguns.
E convenhamos que nada é tão desagradável quanto alguém chegar cheio
de boas intenções, com planos de realizações, de otimismo e muita esperança
e receber uma golfada de rechaço, de freio, de desmanche de prazer. Balde
de água fria é sempre inconveniente e extremo fator de risco, quando não se
trata de apagar incêndios. Aliás, apagar o contentamento do outro é de muito
mau gosto.
Eu ousaria dizer até que é fatal numa relação de afeto, se um dos parceiros
ficar jogando balde de água fria a torto e a direito no bom humor do
companheiro.
A maioria das rupturas, dos desfechos de amizades, também, se deve a
isso. E o mais lastimável é a falta de senso de proporção que acomete as pessoas
que têm o hábito arraigado de jogar água fria no otimismo alheio.
Mania de contrariar seria um sinônimo bem aplicado. Mas eu ainda prefiro
afirmar que jogar água fria no otimismo alheio é uma forma de exercitar
o velho e malfadado controle com pitadas de inveja. Como se fosse tarefa
amena e justa, controlar os anseios do outro, manter sob rédea curta o alazão
dos sonhos de alguém.
Os que jogam baldes de água fria acabam arcando com os respingos. Assim
como nas relações em que uma das partes envolvidas aproveita todo e
qualquer pretexto para desenrolar um rol de queixas e reclamações quase
nunca convenientes para um bom desfecho. Mais dia, menos dia, cansará tanto
a outra parte que arcará com o ônus de uma solidão previsível e incômoda.
Tenho acompanhado alguns capítulos de vidas paralelas a minha como
espectadora que, por certo, cometeu muitos erros, embora nenhum deles se
enquadre no perfil do jogo de balde de água fria. Disso eu me eximo de culpa.
Pode até ser porque tenha sofrido, eu mesma, inúmeros banhos de água
fria e tenha ficado ressabiada. A agressividade desnecessária atinge em cheio
a sensibilidade que me é peculiar e me vejo desguarnecida e exposta ao pagamento
de pedágios cobrados a torto e a direito.
Se conselhos pudessem ser dados, bem aceitos e colocados em prática, o
conselho que ofereço de boa vontade é o de que: – Evitem transbordamentos
de palavras vãs, torrentes de lamúrias insensatas em suas relações afetivas
quando expressarem sonhos e planos. Ouça atentamente, absorva o conteúdo
explanado, viaje na mesma nave e, depois e só muito depois, manifeste seu
ponto de vista, ofereça opinião. Cuidado, com a tentação de jogar baldes de
água fria. Os danos podem ser irrecuperáveis ao longo de certo tempo.





