As vírgulas da nossa vida

Inspirada no filme “O Vendedor de Sonhos”, de Jayme Monjardim, trago reflexões sobre uma cena que me marcou muito. Um psicólogo em depressão tenta cometer suicídio e é “salvo” por um mendigo que o faz refletir sobre o que o levou a tomar esta decisão. O mendigo entre outras coisas diz ao psicólogo que ele não precisa por um ponto final na sua história, que ele pode usar vírgulas e continuar escrevendo a mesma de formas diferentes.

Nós, seres humanos, temos o hábito de buscar pontos finais em todas as esferas da vida. Damos alguns nomes diferentes para estes pontos finais, como sucesso, bens materiais, casamento, filhos, diplomas e em razão deste hábito, quando perdemos o interesse em algumas coisas, quando nos sentimos frustrados ou, ainda, quando vivemos algumas adversidades, sempre buscamos o ponto final para resolver estas questões. Porém, precisamos tomar consciência que nem tudo tem um ponto final, que a vida não é feita de pontos finais.

A vida é feita de novas histórias, de histórias adaptadas, de alterações, correções, recomeços, melhorias, mudanças, a vida é cheia de vírgulas.

A vida não tem só pontos finais, só que nós buscamos o final de tudo e esquecemos de curtir a jornada que é onde está a melhor parte. Por isso quando sentimos que a nossa vida está sem sentido, desejamos colocar um ponto final nela, desistimos, porque todos aqueles pontos finais que achávamos que seriam suficientes não foram e então pensamos que não há mais nada além de colocar o maior ponto final de todos. Só que, de novo, a graça da vida está na jornada, está em cada história após as vírgulas, está naquilo que preenche o nosso coração.

Se olharmos para a vida com olhos de turistas vamos curtir muito mais, vamos nos permitir experimentar, viver experiências, sabendo que aquele ponto não é o final. Para que consigamos usar mais as vírgulas na nossa história, é necessário desapegar da ideia de que o bom de tudo está no fim e que no fim estará o teu grande prêmio, só que não, o êxito está no caminho, em cada pequena situação que tu vive agora, no aqui, no momento presente.

Não te apegues aos pontos finais, porque eles nos fazem querer desistir, eles nos cobram muito, eles nos fazem sentir culpa, eles são pesos nas nossas vidas. As vírgulas são leves, elas se moldam, elas se adaptam, elas mudam o rumo e o sentido das coisas. Use e abuse das vírgulas e quando pensar em desistir ou quando estiver preso aos pontos finais, lembre-se que podemos começar e recomeçar a escrever a nossa história quantas vezes quisermos, porque temos esta possibilidade, todos os dias recebemos esta oportunidade e sim a graça da vida está na jornada e não no ponto final.

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