Ansiedade: entre o alerta e o excesso

Otávio Avendano, Especialista em Comportamento Humano. (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

A ansiedade é uma das experiências humanas mais universais. Em doses equilibradas, ela cumpre uma função adaptativa: prepara o organismo para enfrentar desafios, mobilizando energia e atenção. Do ponto de vista psicológico, é como um sinal de alerta que nos mantém vigilantes diante de situações novas ou ameaçadoras.

A neurociência ajuda a compreender esse mecanismo. Estrutu­ras cerebrais como a amígdala e o córtex pré-frontal trabalham em conjunto para avaliar riscos e planejar respostas. Quando percebe­mos uma ameaça, o sistema nervoso simpático é ativado, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina. O corpo entra em estado de prontidão: coração acelerado, respiração mais rápida, músculos tensos. Esse processo é essencial para a sobrevivência, mas pode se tornar prejudicial quando ocorre de forma constante e sem motivo real.

É nesse ponto que a ansiedade deixa de ser aliada e passa a ser fonte de sofrimento. A psicologia observa que, quando o “alarme in­terno” toca sem cessar, ele compromete a qualidade de vida. Pessoas ansiosas podem experimentar insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade e até sintomas físicos persistentes.

O desafio contemporâneo é que vivemos em um mundo hiper estimulante, onde o cérebro recebe sinais de ameaça não apenas de perigos concretos, mas também de pressões sociais, excesso de informação e demandas profissionais. A neurociência mostra que essa sobrecarga mantém o sistema nervoso em estado de alerta crônico, dificultando o retorno ao equilíbrio.

A psicologia oferece caminhos para lidar com esse excesso. Estra­tégias como a terapia cognitivo-comportamental ajudam a identificar pensamentos distorcidos e a desenvolver respostas mais saudáveis. Técnicas de respiração, meditação e atenção plena reduzem a ativação fisiológica, permitindo que o corpo volte ao estado de calma. Além disso, hábitos como atividade física regular, alimentação equilibra­da e sono adequado são comprovadamente eficazes para regular o sistema nervoso.

A integração entre psicologia e neurociência mostra que a an­siedade não é apenas um “problema emocional”, mas um fenômeno complexo que envolve mente e corpo. Reconhecer seus sinais, compre­ender seus mecanismos e adotar práticas de autocuidado são passos fundamentais para transformar a ansiedade de inimiga em aliada.

Mais do que eliminar a ansiedade, o objetivo é aprender a conviver com ela de forma saudável. Afinal, esse alarme interno tem sua razão de existir: nos lembra que estamos vivos, atentos e em constante adaptação ao mundo que nos cerca.

 

Otávio Avendano, Psicoterapeuta
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