Afinal, de quem é a responsabilidade?

Sempre fui uma menina muito corajosa, nunca tive receio de contar o que fiz de errado, sempre assumi a responsabilidade por aquilo que eu fiz. Só que cresci e conheci um mundo completamente diferente daquele que eu estava acostumada. Conheci um mundo onde algumas pessoas entendem que não são responsáveis por nada que acontece nem na vida delas, muito menos na vida dos outros, quiçá então no universo.

Estranhei, obviamente, quando me deparei com pessoas que buscavam culpados, ou mentiam, ou omitiam coisas que elas haviam feito. Isso é mais comum do que a gente imagina. Assumir a responsabilidade exige coragem de sermos vulneráveis, pois estamos assumindo o fato de que cometemos uma falha, nem sempre um erro, mas deixamos algo a desejar e isso pode ser algo totalmente aceitável e humano. Mas ainda assim vejo pessoas que não enxergam a sua responsabilidade em cima de nada e isso realmente me intriga.

Somos parte do mesmo universo, para algumas teorias, estamos todos interligados. Tudo que faço pode repercutir na vida de alguém lá do outro lado do mundo e cada vez mais a ciência encontra evidências disso, mas ainda assim desviamos da responsabilidade ou co-responsabilidade. É realmente algo curioso para mim.

Na minha opinião, compreender e assumir o papel de responsável ou co-responsável empodera, pois eu participo do desenvolvimento de algo e isso é muito interessante e positivo, independente se falho, se exagero, se preciso consertar algumas coisas, mas de modo geral, ser responsável pelas coisas que acontecem mesmo que indiretamente mais me ajuda do que atrapalha.

Se formos pegar exemplos “simples” da criação de um filho, onde desde muito cedo dou um doce para ele comer todos os dias depois do almoço e isso perdura por 15 anos, se ele chegar na adolescência e estiver bastante acima do peso com problemas de saúde relacionados, até que ponto eu consigo compreender a minha responsabilidade sobre aquilo que está acontecendo na vida dele? Claro que existem variáveis que somadas fazem com que umas pessoas tenham alterações, porém qual é a nossa contribuição para aquilo. Se contribuí, de certa forma sou responsável por aquela situação.

Assim trago a reflexão para comportamentos sociais, pegando o exemplo do Big Brother Brasil, onde o tema cancelamento foi trazido à tona para a rede nacional. Me questiono até que ponto somos socialmente responsáveis pelo que está acontecendo no mundo. Nas relações humanas, será que o nosso comportamento não interfere no comportamento do outro ou somos somente vítimas de um mundo do qual não concordamos?!

Assim, ainda levo esta reflexão para a natureza, ainda não conseguimos enxergar a nossa responsabilidade sob o clima, as altas temperaturas, mortes de animais, etc?

Mas penso que muito mais do que sentir culpa ou raiva, pelo que aconteceu, precisamos focar neste exato momento e em tudo que formos fazer daqui para frente. Precisamos desenvolver a consciência de que sim, somos parte e somos responsáveis por tudo que acontece, mas calma, se a partir de hoje tu começares a mudar a tua mentalidade e o teu comportamento, logo verás resultados melhores na tua vida e na vida daqueles que te cercam. É isto, sejamos mais conscientes e comportamentalmente mais responsáveis para que possamos viver em paz num mundo melhor.