
Quando foi proclamada a República, Pelotas trocou vários nomes de rua, como bem contou o saudoso professor Mário Magalhães no seu clássico “Passeios pela Cidade Antiga”.
Mas sobre uma homenagem específica, eu não achava um nexo, que afinal encontrei e conto mais adiante.
Em plena Guerra dos Farrapos, antes de rumar para Pedro Osório (na época Piratini da Orqueta – Estância Paraíso), o então Barão de Caxias – que presidia a Província e ao mesmo tempo era o Comandante Geral do Exército, teve que resolver um grave problema na então Vila do Alegrete: os soldados que lá estavam negavam-se a sair. Isso que não havia festivais!
Caxias não gostou nada daquela indisciplina e tratou de mandar punir “os que se recusaram a marchar de lá”.
Mandou reagrupar os praças (soldados) em outras várias companhias e ordenou abrir investigações para tratar o “atentado à disciplina”.
Só quem saiu ileso daquele episódio foi o capitão Vitorino José Carneiro Monteiro, o qual – segundo determinou o futuro Duque de Caxias – “por sua energia desenvolvida em semelhante ato, lhe seja entregue o comando de uma companhia do 6º Batalhão de Caçadores”.
Vitorino saiu-se tão bem nas funções que exerceu no exército imperial naquela epopeia farroupilha e, posteriormente, na Guerra do Paraguai, que mais adiante recebeu o título de Barão de São Borja.
Por qual razão os vereadores de Pelotas, que estavam trocando nomes de ruas para enaltecer a República, teriam colocado numa delas uma homenagem a um Barão do Império?
Acontece que, naquela época da troca de nomes das ruas, o Vitorino (filho) era o vice-presidente da República, no governo Prudente de Morais. E foi além, durante quatro meses presidiu a mesma. Pai e filho com o mesmo nome, não foi difícil para nossos parlamentares locais decidirem prestar a homenagem, criando a Rua Vitorino, homenagem direta ao general e indireta ao Presidente da República.
Resolvida a “pendenga” no Alegrete, no dia 10 de abril de 1844, já estava o Barão de Caxias na atual cidade de Pedro Osório e lá trabalhou bastante, pelo que se pode ler nos documentos de então, ali permanecendo até o dia 11 de maio. Conduzindo seus comandados, uns a pé, outros a cavalo, no dia 12 de maio o governo estava no Basílio e no dia 19 daquele mês já estava instalado “nas Pedras Altas”.
Como se sabe disso? Pois cem anos depois, no Governo Vargas, os documentos que tratam daqueles dias foram tornados públicos pelo Ministério da Educação e da Saúde, que só depois foi desmembrado. Mas essa é outra história.



