Áudios de ex-candidato a vice-prefeito de Piratini vazam e expõem Francisco Luçardo, que nega e repudia atitude do petebista

Foto: Reprodução/Facebook

Em Piratini, a acirrada disputa eleitoral conta com quatro candidatos e nessa semana ganhou um fato que passou a ser discutido pelos eleitores de todas as correntes políticas.
Três áudios enviados através do WhatsApp pelo ex-candidato a vice-prefeito Júnior Vaz (PTB) – saindo devido à uma decisão da Justiça – vazaram, passando a ser veiculados nas redes sociais.

Em dois dos arquivos, Vaz tenta captar votos para o candidato a prefeito Francisco Luçardo (PSDB), sob o argumento que ele e Marcial Guastucci, o Macega, que é vereador pelo PTB, serão secretários caso o tucano vença a eleição e que por isso terão forte poder de decisão na Prefeitura.

Na conversa, a outra pessoa não se manifesta. Ainda, deixa claro que pretende fazer um trabalho para que na eleição municipal de 2024 ele e Macega sejam novamente candidatos com grande possibilidade de vencer o pleito.

“Eu entro pra lá (Prefeitura) e faço. Vamos ganhar a eleição. Tô te pedindo um voto pra mim, não pro Luçardo, pra daqui a quatro anos eu entrar pra lá e fazer, me preparar para depois te representar”, argumenta Júnior, que a seguir revela que já há um acordo entre ele, Macega e Luçardo para administrar Piratini em caso de vitória.

“Não pensa em Luçardo. Eu é que vou trabalhar. O Luçardo já disse que a ideia dele é entregar pra nós e pro Patrick porque ele não tem mais idade para tá lá dentro”, continua o petebista. Patrick, no qual ele se refere, é o advogado Patrick Farias, candidato a vice-prefeito na chapa tucana.

A seguir, Vaz se refere a outro candidato no qual não diz o nome, mas que diz ter pouco estudo e ainda desqualifica Marion Costa, que no município é conhecido como doutor Marion, candidato a prefeito pelo MDB em 2016.

“Esse idiota (sem nome) não tem nem a oitava série. Pobre do Marion, nunca apitou nada nem dentro da família dele. Tu acha que o Marion vai poder resolver teus problemas, então vota nele, mas se tu votar em mim e no Macega, tu vai precisar te dirigir a nós e não vais precisar falar com Luçardo, com ninguém”, ampliou.

No outro áudio, direcionado a outra pessoa, Vaz assegura que o acordo com Luçardo descrito em uma carta de intenções, direcionará ao PTB entre 25% e 30% dos cargos em três escalões.

“Temos entre 25% e 30% do primeiro, segundo e terceiro escalões. O Luçardo disse: vocês me apoiem, façam a transposição dos eleitores de vocês, nós vencemos a eleição… Se colocou à disposição pra nós administrarmos junto com ele”, assegurou o ex-candidato a vice, que continuou dando detalhes sobre o acordo com Luçardo.

“Vocês me apoiem, o PTB vai indicar e nós vamos aceitar. Não é nada de boca, Bira. Há uma carta de intenção. A eleição tá definida e se o Luçardo ganhar, vamos indicar pessoas e eu gostaria de contar contigo. És da minha confiança e queremos formar parceria contigo. Vou tá administrando junto e eu [Júnior], vou levar teu nome e tu vai seguir trabalhando na mesma função que tu tás”, prometeu.

A reportagem fez contato com Vaz, que, ao contrário do que revelam os áudios, afirmou não existir nenhum acordo ou documento no qual contenham promessas de Luçardo a ele, ao PTB ou a Macega.

“Fomos apenas convidados a participar do movimento em prol de Francisco Luçardo. Num primeiro momento se conversou de nós participarmos futuramente da administração. Nos áudios eu falei em mim e no Macega porque isso foi conversado conosco, mas não há nada de garantias, apenas isso em política é normal. Não há nada legal quanto a isso e se existisse, não teria validade. Ficou uma impressão no que eu disse nos áudios de que há esse documento, mas não há, e sim, uma conversa que poderá ocorrer no futuro. Só queria angariar votos para o Luçardo. Há um apoio e a possibilidade de sentarmos com ele e discutirmos caso ele vença, apenas isso”, falou.

Abordado sobre o tema, Macega suavizou a questão e assegurou não querer para si qualquer espécie de cargo. “O Júnior é um cara bom e extremamente trabalhador. O que houve é que na ânsia, na empolgação de argumentar para que as pessoas votem no Luçardo, ele disse isso e me citou. Asseguro que nada tenho a ver com isso e também que não quero cargo pra mim. Eu apoio Luçardo por afinidade de propostas e projetos e por ser essa chapa a formação acadêmica, o que considero essencial atualmente para lidar com a administração pública”.

Por fim, contatamos Luçardo, que repudiou o conteúdo dos áudios e disse que Júnior, com sua atitude, acabou também o desqualificando. “Não existe qualquer acordo. Nunca brinquei com política e nem com a administração. Não há promessa de cargos para ninguém, até porque, não podemos dividir o que não temos. Assim só trataremos de cargos se ganharmos a eleição, antes, nada disso ocorrerá. Não sei o que ele quis fazer para convencer estes eleitores a votarem em mim, mas além de me desqualificar, também fez isso com mais três pessoas, e isso é inadmissível”, finalizou.

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