
Em entrevista ao JTR, a estudante de Pedagogia Miriam Moura, de 41 anos, falou da dor de perder a filha assassinada em Piratini. Luiza de Moura Barcelos, de 21 anos, foi morta no dia 20 de outubro, na rua 31 de Março, no Centro da cidade.
Segundo Miriam, a última vez que ouviu a voz da filha foi por telefone, momentos antes do crime. “‘Mãe, vou dormir. Estou com muita dor no corpo, acho que são essas gripes. Amo vocês!’. Respondi: ‘Tá, minha filha. Dorme bem, fica com Deus!’”.
A mãe conta que, na manhã seguinte, foi visitar a filha, mas ela não atendeu a porta. Miriam disse que pediu a ajuda de dois atendentes de uma loja de autopeças junto ao prédio onde Luiza morava para arrombar a porta do apartamento. Quando o acesso foi possível, a mãe viu a filha morta, nua e sentada no chão do quarto. “Toquei nela, segurei suas mãos, que estavam frias. Percebi que já não havia vida. Então, disse: ‘Luiza, filha, me diz que tu não fizeste isso comigo’. Peguei uma coberta e a cobri, e imediatamente um dos rapazes da loja acionou a polícia”, lembrou emocionada.
Para Miriam, seu relato é um passo importante para que a justiça seja feita e o caso não acabe no esquecimento. “Estamos todos em choque. O João, seu irmão caçula, de nove anos, e que ela cuidava, o levando à creche e ao colégio desde que ela tinha 12 anos, está desolado, bem como todo o restante da família que esteve no churrasco que fizemos na pracinha da cidade, no domingo antes da sua morte”, afirmou.
O que diz a polícia
O suspeito do crime, um jovem de 28 anos, foi preso temporariamente pela Polícia Civil, na sexta-feira (24), em uma propriedade rural no 8º Distrito de Pelotas. A ação contou com o apoio da Brigada Militar. “Representamos e obtivemos a manifestação favorável do Ministério Público (MP), em razão dos indícios da autoria do crime de feminicídio, acompanhando de estupro”, disse o delegado Rafael Vitola Brodbeck, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Piratini.
Segundo a investigação, o suspeito foi a última pessoa a estar com a vítima. Câmeras de videomontoramento registraram Luiza e o investigado desembarcando de um Hyundai HB20 em frente ao apartamento onde a jovem morava. O homem também foi identificado pelas imagens nas imediações do local e por comprovantes de pagamento em postos de combustíveis. O laudo da necropsia apontou que Luiza foi assassinada por asfixia cervical mecânica e por constrição (esganadura).
O suspeito está detido no Presídio Regional de Pelotas (PRP) e nega a autoria do feminicídio. Exames complementares do Instituto-Geral de Perícias (IGP) poderão confirmar ou não a culpabilidade do investigado em decorrência do material corporal encontrado no corpo da vítima.
“Estamos todos sem chão. Não sabia que ela estava saindo com ele, afinal, ela tinha um namorado. Mas não tenho queixas da minha filha. Estava sempre preocupada comigo e, ao encontrar ela gelada, sem vida, sim, pedi que naquele momento fosse eu”, finalizou a mãe.



