
O Tribunal do Júri condenou a 38 anos de reclusão o réu acusado de matar o cunhado, José Luiz Silva da Silveira, de 56 anos, e o sobrinho, Anderson Silveira, de 17, em Piratini. A sessão foi realizada na segunda-feira (24), na Câmara de Vereadores, e teve 11 horas de duração. O caso ocorreu em 2021 e ficou conhecido como o “Crime do Trator”.
Aldomiro Adão de Oliveira, de 61 anos, vai cumprir, em regime fechado, 18 anos de prisão pelo duplo homicídio ocorrido em cima de um trator com o uso de uma espingarda calibre .28, o que rendeu mais 20 anos de reclusão ao réu.
O assistente de acusação Marcial Guastucci, que atuou pelo Ministério Público (MP) na acusação, detalhou que o adolescente foi encontrado em cima do trator, com sete perfurações de balins – munição artesanal usada para abater animais de grande porte, como capinchos e javalis, em propriedades rurais. Já o pai tinha nove dessas munições espalhadas pelo corpo.
“Foi algo cruel, não somente pelo motivo, uma disputa por terras, já que, depois de usá-las por seis anos, quando ficou decidido que o parente teria que devolvê-las, decidiu, por este motivo, executar parte da família, comunicando minutos antes da ação, a esposa, dona Cleuza [já falecida] que iria matá-lo. A seguir, deu de mão na espingarda e, 200 metros depois, o crime havia sido executado”, resumiu o advogado.
A advogada de defesa, Eduarda Corral, tentou argumentar que o motivo torpe – a disputa por terras – não estava devidamente claro, mas a justificativa não foi acolhida pelos jurados.
Guastucci revelou ainda que um depoimento gravado por um dos inspetores da Polícia Civil que atendeu a ocorrência com a então esposa do condenado foi crucial para a decisão do júri.
Nele é explicado que Cleuza pediu socorro ao cunhado quando ouviu os tiros e, a seguir, constatou as mortes. “O policial a gravou contando os detalhes do que o marido falou antes e, a seguir, executou. E isso, apresentado para os jurados, entendo que foi o divisor de águas para que a justiça fosse feita”.



