Sobrinho afirma não ter furtado motocicleta do tio em Piratini: “Ele me emprestou”

Jorge Zarnot, de 37 anos, disse ter noção de que a acusação poderá prejudicá-lo profissionalmente. (Foto: Reprodução/Instagram)

O sobrinho do idoso Paulo Zarnot, de 69 anos, que supostamente teve a motocicleta furtada na noite de quarta-feira (12), na zona rural de Piratini, se defendeu das acusações feitas pela prima durante entrevista ao JTR. Segundo Jorge Zarnot Garcia, de 37 anos, o tio teria emprestado o veículo para ele.

“Somos vizinhos, parentes, amigos e nunca sequer tivemos uma discussão. Não entendi o motivo de terem feito isso. Não peguei chave nenhuma enquanto ele dormia e nem roubei sua moto!”, afirmou Jorge.

O homem garante ainda que o tio mora junto com ele na localidade de Vila Seca sem custo algum e que a relação entre os dois é boa. “Isso é loucura! Ele me emprestou a moto, tanto que desceu dela e deixou ligada. Eu subi nela e fui ao Cancelão, tudo como consentimento do meu tio”, disse o trabalhador rural.

Jorge explicou que teria apenas demorado um pouco mais para devolver o veículo. “O que ocorreu é que, ao me emprestar a moto, me estendi na conversa com um amigo no Cancelão e como já passava das 11 da noite, decidi usar a moto para ir trabalhar na localidade do Sabugueiro [2º Distrito do município]. Mas hoje pela manhã trouxe ela de volta para casa onde ele não estava, então, deixei o veículo no lugar, o que para mim estava tudo dentro do normal”, justificou.

O trabalhador rural salientou que a acusação que sofreu da prima pode prejudicar sua imagem pessoal e profissional. Ele afirma ter ótimas referências de proprietários de fazendas no município, onde frequentemente atua como caseiro.

“Podem levantar minha ficha, questionar. Jamais sumiu uma agulha dos lugares onde trabalhei, assim, não iria roubar logo o meu tio que mora comigo. Por favor, né?”

Jorge garantiu que irá até a Delegacia de Polícia para dar sua versão dos fatos. Quanto à prima, reforçou que mantinha uma relação saudável ao ponto de ajudá-la em algumas oportunidades, mas que depois do ocorrido, irá decidir o que fazer posteriormente. “Terá que provar tudo”, finalizou.

Entenda

Segundo a sobrinha de Paulo, Sheila Zarnot, de 27 anos, o tio usa a motocicleta para somar à aposentadoria de um salário mínimo realizando pequenos serviços de capina em propriedades rurais do 3º Distrito do município. Em 2017, ele investiu o pouco dinheiro que juntou durante a vida, R$ 28 mil, em uma moto Honda Bros, ano 2012, que o permitia se deslocar entre uma fazenda e outra. Além disso, os populares “bicos” o ajudam a pagar a pensão do filho e, principalmente, manter o básico para se sustentar.

Ainda de acordo com a sobrinha, o aposentado ficava com a chave do veículo no bolso ou guardava debaixo do travesseiro quando ia dormir, temendo ser furtado. “O sobrinho pediu que nosso tio fosse buscá-lo na cidade, mas como, pela idade avançada, ele já não consegue tirar a CNH, requisitou que o tio o esperasse na entrada do município, próximo ao estádio do Guarani, assim, o risco de ser pego pela Brigada Militar era menor”, resumiu Sheila.

A jovem diz que o suspeito dormiu na casa do tio e, quando o idoso acordou na madrugada de quinta-feira (13) para tomar chimarrão, como de costume, percebeu que a motocicleta havia sido furtada.

“Ele estava apavorado, pois sua aposentadoria rende um salário mínimo e, para piorar, metade disso é descontado dado a um empréstimo que ele não fez, tanto que acionou o banco na Justiça. E ainda tem a pensão do filho, que consome praticamente todo o resto, sendo esses pequenos trabalhos que ele fazia por ter a moto, a saída para sobreviver”, lamenta a sobrinha.

Ainda na manhã de quinta-feira, o sobrinho foi até o endereço do tio, devolveu a moto e não havia dado mais notícias. “No início ele desviou as ligações, depois bloqueou todos da família e, por fim, o celular só dava desligado”, afirmou Sheila.