A motorista de caminhão Patrícia Silva, de 35 anos, teve a motocicleta Honda Fan 160, ano 2016, queimada na manhã de 12 de outubro, em uma das ruas do Parque da Bica, em Piratini. Para ela, o incêndio foi criminosos e aponta o ex-companheiro, de 28 anos, como o principal suspeito.
“Quero apenas confirmar, pois tudo aponta para ele ter queimado minha moto. Sem falar que o comportamento dele horas antes do fato é, sim, perigoso, abre precedentes e, muitas vezes, antecede ao feminicídio. Assim, tomei as providências necessárias ao ser alertada por minhas amigas sobre o perigo que eu estava correndo, já que ele anda sempre armado: faca e arma de fogo”.
Neste momento, Patrícia aguarda o laudo da perícia técnica para atestar se o sinistro em foi realmente intencional. A motorista conta que o fato aconteceu depois de um desentendimento com o ex-namorado. O casal ficou junto por cerca de um ano, mas havia terminado 20 dias antes.
Ela relata que a relação nunca foi conflituosa, mas que o ex-companheiro começou a demonstrar um comportamento abusivo depois do término. O primeiro desentendimento teria ocorrido em uma festa. “Já faziam 20 dias do término e, durante esse período, evitei sair. Mas a vida segue e decidi não mais ficar reclusa em casa. Reunimos os amigos e fomos para o Porão Sertanejo e lá estava ele. Percebi que bebeu muito e passou a me importunar várias vezes, o que foi presenciado por dois seguranças. Isso se repetiu até umas quatro horas da manhã. Ele se aproximava, me tocava, queria conversar, mas eu rechacei todas as tentativas”, relembra.
Patrícia conta que após ir embora do evento, o homem a perseguiu de carro. Ambos pararam em um posto de combustíveis e tiveram uma discussão. Segundo ela, houve troca de ofensas e até agressão física de sua parte para tentar sair do veículo. A motorista acionou a Brigada Militar, mas quando a equipe chegou, ele já não estava mais. Patrícia registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia e solicitou medida protetiva.
“Quando acabamos, resolvi mudar de casa, saí da cidade por 15 dias e fiquei com o prejuízo do veículo que me permitia não só me deslocar para o trabalho, mas levar meu filho, de 10 anos, para a escola e a outros lugares. Além de entender que uma mulher tem que ser respeitada, quero que a justiça seja feita. E se foi ele, vai ter que pagar pelo que fez e me indenizar para eu comprar outra moto”.
As suspeitas sobre o ex-companheiro são reforçadas, segundo Patrícia, pelas câmeras de segurança instaladas nas residências vizinhas, que flagraram o homem transitando pela rua onde ela mora em três horários diferentes após a briga no posto de combustíveis.
A informação sobre o incêndio chegou por meio de uma vizinha, no momento em que Patrícia estava na casa de uma amiga. “Quando cheguei, restavam só cinzas. A pergunta é: o que, depois de nos desentendemos, tanto na festa quanto no posto, ele veio fazer na rua onde moro? A perda do meu bem me causou um transtorno psicológico e, hoje, também me obriga a executar meus compromissos a pé. Se for o autor, vai pagar”, finaliza.




