CooPiratini: Situação dos cooperados melhora, mas ainda está longe do ideal

Equipe responsável pela reciclagem recebeu reforço. Na foto, cinco dos sete integrantes. (Foto: Nael Rosa/JTR)

A cena mostrada pelo JTR, em março deste ano, na qual Luciane Matos Leite, 45 anos, e sua colega, Carmem Oliveira Dávila, 51, aqueciam o almoço em um fogo de chão por não terem dinheiro para comprar gás, quatro meses depois faz parte do passado.

Por deixarem de entregar as certidões negativas à Prefeitura, os cooperados da Cooperativa de Reciclagem Solidária, a CooPiratini, que ganham a vida recolhendo e reciclando o lixo produzido nas residências e no comércio da cidade, tiveram o repasse mensal de R$ 7,5 mil interrompido pelo município, já que a documentação é essencial para que dinheiro público possa ser repassado a terceiros.

Foram nove meses na penúria, o que levou, inclusive, ao corte do abastecimento d’água no desativado silo para grãos, situado às margens da ERS-702, deixando as até então três últimas integrantes do grupo, que chegou ser de 42 pessoas no início do projeto, em 2012, sem o básico não só para trabalhar, mas também para manterem-se de forma digna através da função na qual atuam.

Agora, com o recurso de novo sendo depositado na conta da cooperativa, o que foi possível a partir do momento em que a parte documental foi regularizada, a realidade ainda não é a ideal, mas serve como alento diante de tudo que viveram.

“O repasse aumentou. Agora são R$ 10 mil por mês, o que nos permitiu fazer um acordo com a CEEE Equatorial, Corsan e, ainda, com o nosso contador a quem devíamos somente em atrasados R$ 6 mil”, revelou Luciane, que preside a CooPiratini, acrescentando que os valores dessas dívidas foram parcelados em muitos meses.

Devido à nova realidade, a equipe ganhou mais quatro integrantes. Agora são sete colaboradores, todos pagos com a venda dos recicláveis. Tanto os componentes do reforço como o trio que resistiu a quase falência devem ganhar em torno de R$ 800,00 mensais, mas de acordo com Luciane, a intenção é pagar a todos, exceto o motorista Cláudio Silva, 59 anos, parceiro com quem conta há cinco anos, que ganha de R$ 1,6 por mês, um salário mínimo. “Para esse complemento, a ideia é usar uma parte do repasse, mas esclareço que não é algo que acontecerá de imediato, pois estamos com muitas dívidas e não podemos, antes de pagar grande parte delas, correr o risco passarmos por tudo de novo”.

O cenário mudou, porém, está distante do ideal dada a importância do trabalho que o grupo faz e que impacta também na redução dos danos ao meio ambiente.

Um exemplo é que as refeições agora são esquentadas em um fogão doado, bem como o botijão de gás que Luciane espera não ser, assim como outros 10, furtados quando a estrutura foi arrombada.

Em relação ao que registramos no final do primeiro trimestre de 2024, o novo grupo está bem melhor, mas o gargalo que consome quase tudo que ganham ou recebem do município ainda é o mesmo.

“O que persiste e nos faz viver com dificuldade é esse nosso caminhão usado para recolher o lixo. Ele não tem mais condições mecânicas, estraga a todo momento. O último grande gasto que tivemos com ele, não menos que R$ 1,6 mil só em mão de obra e algo em torno de R$ 600,00 em peças. Portanto, ter um novo veículo para transportar os recicláveis será o divisor de águas para o nosso futuro. Mas fazer o quê? É o que temos”, lamenta a líder, ao referir-se ao veículo, que tem 45 anos.

Por fim, Luciane afirma que todos aprenderam a lição, desta forma, farão de tudo para manter a documentação em dia, bem como o valor pago ao responsável pela contabilidade da CooPiratini. “Muitas das pessoas que se aproximaram de nós e das quais esperávamos um suporte, afinal, não temos nenhum conhecimento dessa parte burocrática, se afastaram. O que nos levou a não entender que a entrega das certidões é algo indispensável para continuarmos a receber o repasse. Mas aprendemos com tudo isso, assim, agora estamos cientes de nossas obrigações”, conclui.

Assim como Luciane Matos, presidente da Cooperativa, o restante da equipe agora aquece o almoço em um fogão. (Foto: Nael Rosa/JTR)

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