
“Pessoas queridas desta cidade, hoje sou eu quem preciso de vocês, a quem entendo serem meu esconderijo, pois em Deus vejo a todos como a minha força, verdade e meu socorro na hora de tanta angústia”.
Com esse apelo, a idosa Iracema Rodrigues, de 81 anos, que acumula histórias de exemplos no real sentido da palavra do “estender a mão ao próximo” em Piratini, agora pede apoio à população para, a princípio, captar R$ 23 mil que permitirão aos médicos extraírem um câncer que surgiu em seu pescoço e que pode causar não só a cegueira, como também a perda da audição.
Viúva, já que o marido e pastor, José Deni, que partiu há cinco anos. Por décadas, o casal de evangélicos foi querido no município por realizar inúmeras ações beneficentes, entre elas, alimentar crianças desamparadas e que residiam no bairro Padre Reinaldo, próximo à casa onde moravam, situada às margens da ERS-702, também adotaram quatro filhos, mesmo que já fossem pais biológicos de outros quatro.
“A primeira foi a Cleuza. Eu passava diariamente pela Escola Ponche Verde e via aquela criança de, no máximo, meio ano chorando e, junto dela, apenas uma garrafinha d’água. Eu já tinha gêmeas em casa e estas também com apenas 6 meses, ou seja, com a mesma idade dela, deixada pela mãe na calçada e para quem a pedi e o bebê a nós foi doado”, recorda a idosa. “Uma vez, havia um menino de cinco anos que era judiado pelo padrasto, no 3º Distrito. Novamente, nos sensibilizamos e pegamos o Joãozinho para morar e ser criado por nós”, completa.
Mas o coração do casal continuou a espalhar amor quando flagraram uma menina de 12 anos sentada à beira da estrada. “Ela chorava porque o pai a havia expulsado de casa. O Zé não teve dúvidas, disse: ‘sobe aí (caminhonete)”. Pegamos para nós e ela só saiu de nossa casa já casada”, conta, emocionada.
Quanto aos contínuos cafés para a garotada do bairro vizinho, Iracema também recorda que, de vez em quando, enfrentava desafios com o esposo por ele dispor de poucos recursos e alertá-la com frequência. “Iracema, controla, vai com calma. Esse mês vai faltar dinheiro para pagar a venda” era a frase que o marido dizia para ela, mas em vão.
A preocupação do pastor se dava em decorrência de a mulher juntar e trazer para a residência do casal a criançada carente, além de servir um café acompanhado de pães caseiros.
Ao renovar o apelo por ajuda, a idosa frisa: “o amigo verdadeiro não é o que se faz presente nos bons momentos, os que estão juntos da gente, por exemplo, para festas. São de fé, os que nos amparam em situações de dor. Peço, neste momento, questione-se: e se fosse um dos seus necessitando desse dinheiro para curar-se? Seu pai, mãe, filho, o que você faria?”.
Recentemente, foram realizados dois movimentos nas redes sociais em 48 horas, mas que arrecadaram apenas R$ 3.540 do montante inicialmente necessário para subtrair um tumor de grau 5, que, ao que tudo indica, é maligno. “Vamos levá-la a outros cirurgiões na esperança de reduzir o valor a princípio cobrado. Mas precisamos, independente do preço, sensibilizar o coração das pessoas. Por ajudar, priorizar os outros, nosso pai morreu sem nada e, hoje, dependemos da solidariedade da população de Piratini”, apela a professora Madalena Rodrigues, uma das filhas da religiosa.
Por fim, Iracema confessa que está com medo, mas, ao mesmo tempo, sua crença em Deus a mantém firme.
“Não me entrego, pois tenho Jesus sobre todas as coisas. Mas peço que reflitam: amanhã pode ser você, assim, doe o que o seu coração mandar, pois um real ou um milhão tem o mesmo valor quando o gesto parte do coração”.
As doações de qualquer quantia podem ser repassadas para a chave Pix CPF: 93290586049.



