
Em junho de 2013, a manchete na imprensa local destacava que as bases de concreto construídas às margens da ERS-702, a três quilômetros do início do perímetro urbano de Piratini, não mais sustentariam o pórtico do município. As estruturas foram instaladas no local denominado Alto do Rosalvo, três anos antes, em 2010, no governo do então prefeito Vilso Agnelo (PSDB).
Quatorze anos e R$ 550 mil em emendas parlamentares depois, o afamado pórtico poderá, segundo a Prefeitura, ser finalmente finalizado antes da conclusão do primeiro semestre deste ano. De acordo com as informações fornecidas pela assessoria de comunicação do município, o novo processo licitatório para a contratação de uma empresa para a retomada da obra foi aberto, concluído e houve uma vencedora que dará continuidade ao que a Prestadora de Serviços Lupe LTDA deu início e, logo após, abandonou a empreitada.
Os R$ 550 mil vieram através de três emendas parlamentares, sendo a primeira de R$ 100 mil destinada em 2010 pelo deputado federal Afonso Hamm (Progressistas). Para que esse recurso não fosse perdido, pois o projeto não avançou por entraves burocráticos junto ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) que não permitiu a obra na 702, o valor acabou sendo usado para pavimentar parte da rua Osvaldo Aranha que leva ao Centro de Eventos Erni Pereira Alves.
A seguir, ainda na gestão de Agnelo, através do já vereador Sérgio Castro, o Serginho (PDT), responsável pela ideia e também por intermediar a conquista de todas as emendas, o também pedetista, deputado federal Pompeo de Mattos, destinou para que o projeto saísse do papel, R$ 200 mil, mas de novo, pelo o mesmo motivo – burocracia – o prazo para a utilização do recurso expirou e acabou perdido.
Por fim, no governo do pedetista Vitor Ivan Gonçalves, Mattos remeteu outros R$ 250 mil para a obra. Desta cifra, já foram gastos pouco mais de R$ 90 mil pagos pela Prefeitura para a Lupe, que não concluiu a construção.
Segundo informações fornecidas ao JTR, restam pouco mais de R$ 172 mil para que, finalmente, o município tenha um pórtico, sendo que destes, quase R$ 12 mil será a contrapartida da Prefeitura.
Nas redes sociais, são muitas as críticas ao poder público devido ao local escolhido para a instalação do pórtico, que, depois de finalizado, desejará boas-vindas ou boa viagem a quem chegar ao sair da 1ª Capital Farroupilha. O esqueleto do empreendimento – a única fase concluída pela LUPE – está atrapalhando o trânsito. Conforme as manifestações de parte da população, a questão estética é outro problema.
Essas críticas também são destinadas a Serginho, que, procurado pela reportagem, se defende: “A comunidade tem vinculado a mim o fato deste pórtico estar sendo construído dentro da cidade. Mas, de uma vez por todas, tem que ficar claro: não tenho a nada a ver com isso, sou apenas aquele que teve a ideia e conseguiu todos os recursos e nada mais”, garante o parlamentar, que segue: “O local escolhido é de responsabilidade única e exclusiva do prefeito, que, sob o argumento de que se o projeto original fosse respeitado, ou seja, na ERS, o município ia ter que gastar quase o dobro do que foi destinado por último pelo Pompeo, e a Prefeitura não dispõe deste dinheiro, e para que o valor novamente não fosse perdido, o prefeito decidiu fazer ali a instalação. Esta decisão foi tomada só por ele”.
Em busca da resposta e contraponto, levamos tal indagação à assessoria de comunicação de Márcio Porto (MDB). No total, foram dois contatos com esta finalidade em 10 dias, mas não obtivemos nenhum contato que pudesse responder à pergunta – o que também não ocorreu até o fechamento desta edição.



