Fazenda do Açude, de Pinheiro Machado, lança marca própria de lã merina

Lançamento da marca ocorreu durante a 38º Feovelha. (Foto: Eunice Garcia/JTR

Os proprietários da Fazenda do Açude, em Pinheiro Machado, trabalham em equipe e se dedicam à criação de ovinos da raça Merino Australiano. A família realiza um trabalho em busca de melhoramento genético do rebanho, prezando pela qualidade na produção de lã fina. Além disso, o ovinocultor Diomar da Silva relata que o manejo dos animais é realizado de forma sustentável com pastagem na vegetação nativa, respeitando a diversidade do campo do bioma Pampa.

Silva também trabalha com a comercialização de borregos para a reprodução e já participou de concurso realizado pela Emater, conquistando o primeiro lugar na raça.

A raça Merino Australiano é conhecida pela produção de lã fina de altíssima qualidade e é considerada uma das matérias-primas mais nobres do mundo. A lã Merina é uma fibra de origem animal formada por proteínas denominadas ceratina. O conjunto de lã forma uma camada, chamada velo, e protege os ovinos do frio e do calor. A micragem (diâmetro médio das fibras) varia entre 16 e 26 µm (micrômetros). 

Lavagem, tingimento e cardagem são feitos na fazenda. (Foto: Eunice Garcia/JTR)

Em janeiro, durante a 38ª Feovelha, a família lançou a marca Austra, Lã Merina Super Fina. Segundo a produtora Silvana Flores, quanto mais baixa a micragem, mais fina e macia será a lã, que é classificada como merina quando atinge até 21 µm. “A nossa lã está classificada em 17 µm. Uma peça confeccionada com a lã merina é suave ao toque, confortável de usar, possui proteção UV, é antimicrobiano e promove a melhor regulagem térmica”, explicou.

Silvana ressaltou que o objetivo principal da marca é a valorização do produto, a lã.  “Buscamos agregação de renda, a divulgação do produto e do rebanho, onde selecionamos os animais para produzir a lã de excelente qualidade, a qual serve de matéria-prima para o produto que foi apresentado na 38ª Feovelha”, explicou.

“Ainda durante a Feovelha foi realizada a demonstração de todo o processo produtivo, até chegar ao fio, o qual ainda está em fase de aprendizado. Em breve teremos fio para a comercialização”, contou.

Julia Flores é estudante do 9º semestre de Agronomia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e reside com a família na Fazenda do Açude. Para a reportagem do Jornal Tradição Regional, a estudante explicou que toda a família está envolvida no ciclo produtivo. “O processo inicial é a seleção do rebanho, fator fundamental que determina a qualidade final do produto. Agora estamos focando nesse novo nicho, que é o processamento da lã. Para isso, a seleção dos melhores velos é realizada durante a esquila”, contou a estudante, que complementou: “Lavamos, tingimos e cardamos as nossas lãs aqui mesmo na propriedade, a 7 quilômetros do Centro da cidade. Um trabalho familiar e de forma artesanal, com o acompanhamento e assistência técnica da Emater”.  O tingimento da lã, segundo ela, é feito de forma natural, utilizando plantas. 

Júlia explica que a comercialização está sendo feita apenas para artesãos. “Almejamos uma expansão de mercado à medida que conseguirmos processar em maior escala, visto que, é um processo bem lento”. 

Os interessados em adquirir a lã ou conhecer mais sobre o processamento artesanal pode entrar em contato com os produtores pelos telefones: (53) 99903-8333, 99951-2349 ou pelo facebook.com/fazendaacude.