
Quando não nascemos em um ambiente religioso, é comum buscarmos o diálogo com o Criador apenas em meio ao desespero, diante de alguma situação que causa dor ou tristeza. Para Bia Amaral, de 28 anos, demorou décadas, mas o tal “meio dedo de prosa” com Deus veio quando pouco restava para juntar de si, quando sentia a pior das dores: a que acomete a alma.
Bia cresceu em um ambiente familiar nocivo, desregrado, com violência e abusos. Tudo isso somado ao rompimento do primeiro relacionamento, que durou sete anos, foi responsável por expor a fragilidade enquanto pessoa, feridas abertas ao longo, principalmente, de duas das mais importantes fases de sua vida: infância e adolescência. Ela encontrou alento e forças para se levantar, inclusive com o suporte espiritual dado pela igreja O Brasil Para Cristo, em Pinheiro Machado.
“Sem ter nem o porquê, ele me informou que terminaria o relacionamento. Na noite em que me comunicou que iria a uma festa, desabei, literalmente, fui ao chão. E, ali, deitada, apenas eu e as paredes, peguei a Bíblia e falei com Deus, suplicando para que cessasse aquela dor imensa em meu peito, e aconteceu: conheci o maior dos amores, um sentimento maior que eu”, recorda a mulher.
Antes de dar continuidade à narrativa quanto ao caminho que a levou para Cristo, Bia justificou sua fragilidade, revelando que os traumas de infância, entre eles os abusos e comportamentos inadequados de um dos genitores – períodos vividos, em sua maioria, em Canguçu, de onde saiu aos 14 anos. Tais fatores impediram a manutenção de um seio familiar saudável e impactaram na construção de sua identidade. “A barreira do silêncio sobre tantas coisas ruins foi quebrada num consultório e junto à psicóloga. Foi ali que eu entendi o que havia me acontecido, já que, até este momento, eu não tinha noção da gravidade e isso, com certeza, prejudicou meus relacionamentos conjugais”, admite.
As traições do então companheiro e a partida trágica do pai, tirou a própria vida, foram fatos que se somaram a uma existência cercada, até ali, de episódios negativos, cujo a única saída foi Deus. “Deprimi, mas tive forças para pedir ajuda e ser internada em 2016. Assim, fui mantida por 40 dias no Hospital de Piratini. Ao obter a alta, percebi que dali saía outra pessoa, pensamentos novos e positivos. Queria e tentei ser técnica em enfermagem, mas acabei rumando para outra área”, revela.
Bia comenta sobre a experiência espiritual que teve ainda hospitalizada. “Senti a presença de Deus. Não há como eu explicar. Ali, no quarto, entendi que não deveria mais me humilhar, tomei decisões. Resumindo: recentemente, após muito frequentar, me batizei na O Brasil Para Cristo, uma igreja que me acolheu, fiz amigos, o lugar certo onde posso, inclusive, exercitar uma de minhas paixões: cantar louvores, os mesmos que me permitem deitar e dormir um sono tranquilo”.
Mesmo mudando a maneira de ver as coisas, Bia diz que ainda se sentia sozinha, já que residia em um pensionato. Contudo, a situação mudou quando conheceu uma pessoa muito especial em sua vida. “Aí chegou a Marioni, que eu posso afirmar que, mesmo me relacionando bem com minha mãe biológica, me abraçou e também faz esse papel”.
Tal abraço de genitora adotiva foi dado pela futura pedagoga Marioni da Silva Witter Saraiva, amiga do ex-marido de Bia e que presenciou grande parte do drama da agora filha do coração. “Ela perdeu o companheiro, o trabalho, perdeu tudo ao mesmo tempo e isso tocou meu coração, questão de empatia, já que poderia ser eu. Foi assim que me senti, me vi naquela situação”, recorda Marioni. “Em casa, fico sozinha a semana toda, pois meu marido trabalha em outro município. Então, decidi dar apoio, a trouxe para junto de mim e dei o suporte mínimo necessário para ela, que é querida, responsável e esforçada. Para onde vou, costumo brincar que a levo comigo na ‘alça da bolsa’”, completa Marioni.
Além de apoiar Bia, ela também foi a responsável por influenciá-la a aceitar Jesus, o que aconteceu oficialmente no dia 20 de abril por meio de batismo. “Eu a apresentei a O Brasil Para Cristo e isso a fez frequentar a igreja, cantar nela durante os cultos e, por fim, ao batismo. Então, valeu a pena”, afirma Marioni.
A estratégia quanto à divulgação artística de Bia, que vai precisar de ajuda da comunidade, será destacada em junho, quando o JTR levará a todos os seus leitores as formas de como você pode colaborar para que a cantora evangélica realize seu sonho.



