Pelotas: Uma trajetória de vitória contra o câncer de mama

Após oito meses de tratamento, Roberta realizou a última sessão na quarta-feira (7). (Foto: Luana Martini/JTR)

O câncer de mama é o tipo que mais agride as mulheres em todo o mundo, assim como no Brasil. Em 2021, no país, foram estimados 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em contrapartida, felizmente, o diagnóstico precoce possibilita que as chances de cura sejam muito maiores para a paciente, chegando a 95%.

A mortalidade da doença diminui em cerca de 20% nas mulheres entre 50 e 69 anos que realizam o exame a cada dois anos. Muitas têm vencido etapas na trajetória contra a doença, que incluem procedimentos semanais intensos, que influenciam as pacientes física e emocionalmente.

A empresária Roberta Zielke foi diagnosticada no dia 28 de abril deste ano. Na quarta-feira (7), oito meses após o início de sua caminhada, ela pôde concluir uma fase significativa – seu tratamento de quimioterapia, iniciado em abril deste ano. O Jornal Tradição Regional contou a trajetória de Roberto em outubro, mês dedicado à conscientização sobre a doença. O último dia realizando o procedimento foi de comemoração junto aos amigos, profissionais e colegas que a acompanharam durante todo o caminho.

Ela contou que, ao chegar ao Hospital pela manhã, todo o caminho trilhado até então veio à tona novamente. Lembranças que a fizeram sentir gratidão por todo o processo. “Na verdade foi um grande aprendizado pra mim. Eu me sinto outra pessoa, transformada, renascida – eu me sinto uma pessoa muito melhor, muito calma, muito paciente e com muito mais fé. […] Quando eu descobri, eu me perguntei: ‘Que presente tem aqui para mim?’. Então, eu ganhei cuidado, carinho, eu ganhei apoio; eu aprendi também a ser vulnerável; eu aprendi a receber a tristeza, a receber a raiva, a indignação”, declarou.

Para a empresária, apoio das amigas Selbia Domingues, Luci Nizoli
e Juliana Boeira foi fundamental durante o processo. (Foto: Luana Martini/JTR)

Roberta salientou a importância da rede de apoio que esteve à sua disposição – amigas que, semanalmente, a acompanhavam no procedimento de quimioterapia. “Elas foram fundamentais. […] Me mimaram; quando eu tinha vontade de chorar – quando caiu o cabelo – elas me levantaram. Se eu não tivesse esse apoio seria muito mais difícil, muito mais doloroso. Assim como tantos outros que, mesmo não estando presente, por ligação, dando apoio, palavras de carinho. E isso é fundamental para o processo de cura: o carinho, o cuidado. Como eu sempre digo: pessoas precisam de pessoas. Sem elas eu não teria conseguido”.

Amiga de Roberta, Selbia Domingues se sentiu valorizada por acompanhar a amiga durante todo o processo. “Porque eu não imaginei que eu poderia ajudar alguém. É uma sensação diferente. É gratificante”, afirmou. Ela complementa dizendo que a atitude não deve ser vista como uma ação desgastante, embora exija esforço.

Luci Nizoli, assim como Juliana Boeira, também foram pessoas essenciais no processo de cura de Roberta. Luci salienta que acompanhou a amiga em momentos muito especiais da vida, como em viagens e passeios, visto que ambas trabalham com o turismo. Mas que, agora, estava junto dela em outro tipo de viagem. Ela avalia a data como um momento de vitória.

Ainda, a guia turística incentiva outras pessoas a se doarem e servirem de apoio para aqueles que estão passando pelo processo de tratamento, visto que esse tipo de atitude gera satisfação. “Se tu puder te doar…tu vai perder uma hora ou duas, [mas isso] ninguém compra. Não tem dinheiro que pague”, finaliza.

Preconceito
Ao longo do caminho percorrido, Roberta identificou elementos que permeiam a cura gradativa e que não devem ser um empecilho no decorrer do procedimento, como é o caso do preconceito. Ela contou que algumas pessoas se afastaram após o diagnóstico, seguido do tratamento. “Pessoas que se afastaram porque não querem estar com pessoas que estão sofrendo porque podem ‘pegar’, [no sentido] de ficar para baixo ou […] te veem com toca, te deixam passar, te olham com pena. E não precisa ter pena”, declarou a empresária.

Ela ainda citou uma situação em que, ao chegar a um estabelecimento comercial utilizando um boné, atendentes não quiseram abrir as grades de proteção porque tinham receio de serem roubados. “Acho que ainda tem muito essa questão do preconceito pela doença”, opinou.

Roberta incentivou outros a acolher, sorrir e tratar naturalmente aqueles que estão passando pelo processo de tratamento.

Profissionais humanistas
Para a empresária, a forma como foi tratada pelos profissionais da saúde do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel) foi um ponto significativo no decorrer do processo. Ela afirma que a paciente chega ao local com medo do desconhecido e, por esse motivo, necessita de um acolhimento, acima de tudo, humano. “Eu me lembro que [ela] me acolheu com um sorriso, com alegria. Eu acho que isso muda muito o tratamento – esse acolhimento, essa risada, essa leveza. Eles sempre foram muito acolhedores, prestativos, delicados, sempre tentando fazer o melhor, que tu te sinta em casa. Eles não deixam tu sentir dor. Eles sempre perguntam, eles fazem com carinho. Tu vê que são pessoas que gostam do que faz. E a humanização não é só da [ala da] quimioterapia, enfermagem ou dos técnicos, mas também da recepção, dos médicos, de todos. ”, relata.

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