Pelotas passa a ser referência macrorregional no Programa TEAcolhe

Centro passa a ser referência para 27 municípios da região. (Foto: Rafaela Dutra/JTR)

A terça-feira (30), foi marcada pelo evento de oficialização de Pelotas como um dos municípios referências do programa de atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), o TEAcolhe. O principal objetivo do projeto, anunciado pelo governo do Estado em abril, é oferecer apoio e assistência às pessoas que têm TEA e suas famílias junto às Secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social, além de qualificar profissionais. A cerimônia aconteceu no Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura, que agora é sede do Centro Macrorregional.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) define o TEA como uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem. O transtorno geralmente começa a se manifestar na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta, tendo prevalência maior no sexo masculino. Segundo a psicóloga Isabel Silveira, indivíduos com transtorno do espectro autista geralmente apresentam sintomas e comportamentos que revelam um desenvolvimento atípico, caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, por comportamentos repetitivos manifestos, restrição de interesses e atividades.

Isabel também explica que os indivíduos ainda podem desenvolver outras condições concomitantes, incluindo bipolaridade, depressão, ansiedade e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). “A literatura aponta que cerca de 2/3 de pessoas com diagnóstico de autismo possuem outros transtornos psiquiátricos associados. Se pensarmos que as pessoas que têm esse diagnóstico vão ter um desenvolvimento atípico, podemos refletir sobre o porquê dessa prevalência ser tão alta a essa população”, afirma.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é que em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tenha o transtorno. O Brasil não possui dados oficiais, mas o Censo Escolar dos anos de 2017 e 2018, mostra que o número de alunos com autismo que estão matriculados em classes comuns no Brasil aumentou 37,27% de um ano para outro.

Na foto, a diretora do Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura, Débora Jacks, o secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Luiz Viana, a coordenadora da equipe técnica do TEAcolhe no Rio Grande do Sul, Fernanda Barreto Mielke, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), a reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Isabela Andrade e o então presidente da Câmara, Cristiano Silva (PSDB). (Foto: Rafaela Dutra/JTR)

O TEAcolhe cria 30 Centros Regionais de Referência (CRR), que terão os sete Centros Macrorregionais de Referência (CMR). Há quatro meses, em cerimônia no Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou que Pelotas foi selecionada para sediar um dos centros macrorregionais do programa. Na ocasião, Leite chegou a explicar que, mensalmente, cada município sede macrorregional receberá R$50 mil para custeio das suas unidades. Os centros regionais receberão R$20 mil, por mês, cada um deles. O governo do Estado investiu R$1,4 milhão na compra de equipamentos e possíveis reformas na estrutura dos centros.

Fernanda Barreto Mielke, coordenadora da equipe técnica do TEAcolhe no Rio Grande do Sul, conta que o Estado tem uma grande demanda na qualificação para o atendimento das pessoas com autismo. “A gente tinha poucos serviços que eram especializados nesse atendimento e que a gente entendia que não eram inclusivos”, disse. Ainda segundo a coordenadora, o atendimento especializado realizado em Pelotas serviu de referência para a criação do programa estadual, “Muitas pessoas estavam participando da construção do programa com a gente e falando muito de Pelotas. A gente veio então buscar essa expertise que Pelotas já tinha de poder construir essas redes”, pontua.

Fernanda explicou também que a metodologia utilizada será a de matriciamento, ou seja, um tratamento integrado em saúde, educação e assistência social por meio de atividades princípios dos três setores. Pensando nisso, a diretora do Centro e coordenadora do Centro Macrorregional em Pelotas, Débora Jacks, conta que a equipe está sendo organizada desde julho e trabalhando no mapeamento dos 27 municípios da 3ª e 7ª Coordenadorias Regionais de Saúde que serão atendidas pelo programa e suas principais necessidades.

Para ela, a implementação do projeto é essencial para encontrar e fortalecer os pontos frágeis no atendimento aos autistas. “Trabalhar com a qualificação dessas redes para que, lá na ponta, a família e a pessoa com TEA consiga ter uma melhor qualidade de vida, sejam atendidas mais nas suas necessidades”, afirma Débora.

Atual Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura
passará a ser referência macrorregional no programa TEAcolhe. (Foto: Rafaela Dutra/JTR)

A prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) afirmou estar orgulhosa do trabalho realizado no Centro, que serviu de inspiração para o Estado. “É um grande projeto, a gente tem muita alegria, um orgulho enorme de ter conseguido ser referência macrorregional, claro, tudo isso em função do trabalho muito bem feito, desenvolvido aqui ao longo dos anos, com o apoio das famílias, da Amparho (Associação de Amigos, Mães e Pais de Autistas e Relacionados com Enfoque Holístico) e de profissionais”, destacou a prefeita.

Conforme Isabel, ofertar acompanhamentos especializados aos autistas e rede de apoio aos familiares ou responsáveis gera melhor desenvolvimento de crianças e, posteriormente, de adultos. “Não só de espaços específicos, mas é extremamente importante que a população em geral desmistifique e conheça sobre o transtorno, sobre as limitações, mas também sobre todas as possibilidades que um autista pode desenvolver se for bem estimulado”, explica.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome