Pelotas é o primeiro município gaúcho a oferecer rastreamento de DNA-HPV

A novidade integra um projeto piloto do Ministério da Saúde e, gradualmente, deve substituir o Papanicolau. (Foto: Divulgação)

Desde segunda-feira (9), três dos 51 postos de saúde da rede pública de Pelotas passaram a oferecer um novo exame capaz de identificar diretamente o vírus do HPV (papilomavírus humano) de alto risco, responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do útero. A novidade integra um projeto piloto do Ministério da Saúde e, gradualmente, deve substituir o Papanicolau.

Atualmente, o exame está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos bairros Guabiroba, Py Crespo e Balneário dos Prazeres. O teste é ofertado apenas às pessoas vinculadas a essas unidades que, somadas, representam mais de 6 mil pacientes na faixa etária indicada para o rastreamento.

Como funciona o novo exame

A técnica possibilita o rastreamento da molécula do DNA do HPV. Segundo o representante do Departamento de Atenção Básica, João Vechia, os principais benefícios do exame estão na maior sensibilidade e precisão, visto que o teste detecta o vírus antes de serem causadas lesões no colo de útero. “O exame é muito mais sensível. Ele detecta a maioria dos tipos de HPV, principalmente os 16 e 18, que são os mais potencialmente malignos”, explica.

A coleta do DNA-HPV é muito similar à prática do Papanicolau. Na ocasião, o profissional da saúde coleta células do colo do útero que são enviadas ao laboratório para identificação ou ausência do vírus. Em caso positivo, a conduta principal é procurar um ginecologista para avaliar o tipo de HPV. Em caso negativo, a paciente pode ter um intervalo de cinco anos até o próximo teste.

Vechia reforça que o acesso ao exame acontece de forma ordenada, por meio de agendamentos ou buscas ativas, com prioridade às pacientes com idades entre 25 e 64 anos: “Hoje, em Pelotas, quem pode procurar o exame é a população residente do território dessas unidades. Estamos em processo de ampliação. Pretendemos que, logo mais, tenhamos o exame disponível em outras unidades e, posteriormente, em todo município”.

A secretária de Saúde de Pelotas, Angela Vitória, destaca que, enquanto o piloto de DNA-HPV avança para futura expansão, as demais unidades seguem ofertando o Papanicolau normalmente. “É muito importante que as mulheres façam o preventivo. Todas as UBSs estão capacitadas para as ações de Planejamento Familiar e disponibilizam os métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS”, conclui.

O HPV é, segundo o Ministério da Saúde, a IST mais comum do mundo. O vírus afeta pele e mucosas, e pode ser associado a verrugas anogenitais, tumores malignos, câncer de colo do útero, ânus, boca e garganta. A vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS, sendo a forma mais eficaz de prevenção — principalmente quando aliada ao uso de preservativos.