Outubro Rosa: exames preventivos de câncer de mama podem salvar vidas

Laura Motta (esq.) e Elni Marth (dir.), pacientes assistidas pela Aapecan em Pelotas. (Foto: Laura Cruz/Aapecan)

O Outubro Rosa é um mês dedicado à campanha de pre­venção ao câncer de mama. De acordo com o Ministério da Saúde, esse é o tipo de cân­cer mais comum entre as mu­lheres tanto no Brasil quanto no mundo, podendo também se desenvolver em homens. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que a incidência da doença na população mas­culina represente 1% de todos os casos.

As mulheres devem realizar o exame de mamografia como rotina a partir dos 40 anos, considerando que são raros os casos de câncer de mama an­tes dos 35, tendo maior inci­dência após os 50 anos.

Mulheres de todas faixas etárias devem investigar os se­guintes sintomas: edema cutâ­neo (na pele) semelhante à casca de laranja; retração cutâ­nea; dor; inversão do mamilo; hiperemia; descamação ou ul­ceração do mamilo; e secreção papilar, especialmente quan­do é unilateral e espontânea. O diagnóstico é feito a partir de exames clínicos e de imagem, como a mamografia, ultrasso­nografia ou ressonância mag­nética. Caso seja detectado um nódulo, é feita uma biópsia para a confirmação.

Diagnóstico precoce e possíveis causas

A descoberta precoce da doença é considerada uma for­ma de prevenção secundária e uma possibilidade para que os tratamentos sejam mais sim­ples e efetivos na redução do estágio do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, através da alimentação, nutrição e ativida­de física é possível reduzir até 28% os riscos de desenvolver câncer de mama.

A doença não tem uma cau­sa única, sendo influenciada por diversos fatores de risco, como idade avançada, genética e ex­posição a hormônios, além dos fatores ambientais e compor­tamentais, como o consumo de álcool, sobrepeso e obesi­dade, que também podem au­mentar o risco especialmente após a menopausa. Além dis­so, a exposição à radiação io­nizante, como em tratamentos de radioterapia ou exames fre­quentes de mamografia, eleva as chances de desenvolver a doença. Há ainda um compo­nente genético, com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que predispõem mulheres com his­tórico familiar a um risco eleva­do de câncer de mama.

Já o Inca ressalta que este tipo de neoplasia tem o melhor prognóstico de cura, podendo chegar a 95% de cura se detec­tado precocemente.

Tratamento

A paciente com câncer de mama tem garantido pelo Sis­tema Único de Saúde (SUS) to­dos os tipos de cirurgias, como mastectomias, cirurgias conser­vadoras e reconstrução mamá­ria, além de radioterapia, qui­mioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos. Conforme a Lei nº 12.732/2012, a paciente com neoplasia malig­na tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS, no prazo de até 60 dias a partir da confirmação do diagnóstico ou em prazo menor de acordo com a necessidade.

Acolhimento

A Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan) inaugurou em Pelotas, no dia 27 de setembro, uma sede pró­pria com objetivo de atender um número maior de pacien­tes oncológicos e seus familia­res. O espaço conta com três andares, somando 981 metros de área construída. Ao todo, são 16 quartos individuais, salas de atendimento, sala de reuni­ões, espaço kids e um refeitó­rio quatro vezes maior.

Com o intuito de acolher pacientes com diagnóstico de câncer, são oferecidos quartos, refeições, reik, atendimentos com psicólogos e advogados, motorista para levar ao hospi­tal e oficinas.

Diagnosticados com qual­quer tipo de câncer podem fa­zer o cadastro na Aapecan. A assistente social da Associa­ção, Fernanda Ayres, conta que os usuários passam primei­ro pelo atendimento com a psi­cóloga. Após, são direcionados conforme suas necessidades. “Tem umas que chegam aqui bem deprimidas, entristecidas, achando que a vida acabou, que terminou. E nós procura­mos fazer com que elas acre­ditem. Porque nós acreditamos na vida, nós fizemos com que elas acreditem, que elas melho­rem a autoestima, que elas par­ticipem”, disse Fernanda.

Em Pelotas, a Aapecan atende cerca de 1.130 cadastros ativos, sendo que 148 mulhe­res e um homem são diagnosti­cados com câncer de mama. O coordenador da Aapecan Me­tade Sul, Fabiano Gerbaldo,

afirma que essa porcentagem é significativa e que a Asso­ciação tem se empenhado em fazer a campanha do Outubro Rosa com palestras preventi­vas e divulgações externas na região. “Nós entendemos, as­sim como várias outras insti­tuições e também a própria saúde entende isso, mas tem uma certa dificuldade que o diagnóstico precoce aconteça. E ele tem muito mais chances de cura. Eu acho que o precoce é muito mais barato também para tratar, do que quando tu acaba descobrindo um câncer de mama, já mais avançado”, argumentou.

Mulheres em busca da cura

Laura Motta, de 62 anos, natural de Pelotas, está em tratamento para o câncer de mama e conta que o primeiro sintoma foi dor no braço es­querdo, mas que acabou atri­buindo ao movimento repetiti­vo – já que trabalhava em salão de beleza. Laura só tinha a re­comendação de fazer a mamo­grafia que sempre dava negati­vo. Após seis meses do exame, ela sentiu uma íngua na axila direita, o lado oposto de onde tinha a lesão. E foi por meio de um ultrassom que ela des­cobriu o câncer estágio dois e confirmou com a biopsia.

Depois de fazer a retira­da, começou as sessões de ra­dioterapia e continua o trata­mento com quimioterapia oral. Laura aconselha as mulheres a manterem em dia os exames e sempre fazer tanto a mamogra­fia quanto o ultrassom. “Acho que a gente não pode subes­timar as dores, a gente quer se automedicar achando ‘ah não, eu tenho isso, a fulana tam­bém tem’. Não, cada corpo é um corpo, cada mulher reage de uma maneira, cada uma tem uma dor diferente”, frisou.

Já Elni Marth, de 59, natural de São Lourenço do Sul, perce­beu um caroço no seio e, então, fez a mamografia e o ultrassom para investigar. No entanto, ini­cialmente, o médico descar­tou a possibilidade de câncer. Quando começou a sentir dor um tempo depois, ela refez os exames e novamente o médico negou o diagnóstico. Elni pro­curou uma segunda opinião e foi quando recebeu o laudo de câncer. Encaminhada para Pelo­tas, logo já fez a cirurgia para retirar o tumor e encaminhar para a biópsia. O tratamen­to consistiu em sessões de ra­dioterapia e quimioterapia oral. Elni conta que o cunhado, que já teve câncer, recomendou que ela procurasse a Aapecan. Assim, foi acolhida na institui­ção durante sete dias para re­alizar as sessões. “É pra todo mundo fazer os exames, quan­do eles sentirem alguma coisa, pra fazer ultrassom, mamogra­fia, porque é isso que eu fiz e eu peço pra todo mundo fazer”, aconselha Elni.

Dados da doença na região

Nos últimos dois anos, a região de saúde que abrange os municípios de Amaral Ferrador, Arroio do Padre, Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Chuí, Herval, Jaguarão, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Rio Grande, Santana da Boa Vista, Santa Vitória do Palmar, São José do Norte, São Lourenço do Sul e Turuçu apresentou um aumento preocupante no número de mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Segundo dados do Painel Oncologia – Brasil, em 2022, 350 residentes na região foram diagnosticadas com a doença, número que subiu para 357 em 2023, totalizando 707 casos nos dois anos.

Considerando as mulheres diagnosticadas, 248 estavam em tratamento em 2022. Esse número aumentou significativamente para 349 em 2023, totalizando 707 casos tratados, mas com uma quantidade notável de 88 mulheres em tratamento em 2024 e 21 sem informações sobre seu estado de tratamento.

As consequências da doença não podem ser ignoradas; 258 mulheres residentes na região perderam a vida devido ao câncer de mama nos anos de 2022 e 2023. Destes, 126 óbitos foram registrados em 2022 e 132 em 2023, conforme dados preliminares da Tabnet – Mortalidade. Contudo, não significa que sejam as mulheres diagnosticadas, pois não há como cruzar esse dado nos sistemas.

A  região conta com apenas três unidades oncológicas para tratamento quimioterápico, radioterápico e cirúrgico. Além disso, há apenas duas referências para a reconstrução mamária pós-mastectomia total nos casos oncológicos.

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