Dois anos depois, pandemia de Covid-19 ainda requer cuidados

Máscaras deixaram de ser obrigatórias ao ar livre em Pelotas e municípios da região, mas uso segue sendo recomendado. (Foto: Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas)

Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), decretou que o, até então, surto do novo coronavírus, inicialmente concentrado na China, se tratava de uma Emergência de Saúde Pública de importância internacional. Em 11 de março, a doença foi caracterizada como pandemia, atingindo vários países e regiões do mundo. No Brasil, o primeiro caso confirmado foi em 26 de fevereiro, em São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, menos de um mês depois, em 22 de março, o país já havia reconhecido 25 mortes em decorrência do vírus.

Em Pelotas, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) decretou situação de emergência devido à pandemia pela primeira vez em 20 de março de 2020. Na ocasião, a principal medida foi a proibição do funcionamento do comércio, com a manutenção apenas dos serviços públicos essenciais, de saúde, assistência social e segurança. Na época, 44 residentes na cidade aguardavam o resultado de teste pelo Laboratório Central do Estado (Lacen/RS), até então o único em todo o Rio Grande do Sul credenciado e certificado para realização do exame de contraprova.

Passados dois anos, o município acumulava, até quinta-feira (24), mais de 81,7 mil casos positivos e 1.367 mortes em decorrência do vírus. Mas com o início da campanha de vacinação, em janeiro de 2021, o país voltou a se reorganizar projetando uma realidade pós-pandêmica. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Roberta Paganini, Pelotas fez uma ótima campanha de vacinação, estando sempre com níveis acima da média do Rio Grande do Sul. O Painel Covid-19 da Prefeitura de Pelotas aponta que, entre a população apta a tomar a vacina, 87% está com duas doses e 54,6% com três, enquanto a média estadual é de 76,8%, com duas doses e 37,7% com a dose de reforço, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

De acordo com Roberta, a atual conjuntura em Pelotas é de maior tranquilidade em relação à infecção da população pela Covid-19. Não há o mesmo número de novos casos diários de contaminação pela doença, nem de internações em relação aos picos de aumento já registrados, e há a discussão sobre a flexibilização do uso de máscaras. “Estamos em um momento em que cada vez mais a pandemia se aproxima de uma endemia”, afirma.

Marcos Britto Correa, presidente do Comitê Covid-19 da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), acredita que para controlar definitivamente a pandemia é fundamental que a cobertura vacinal mundial seja ampliada, principalmente nos países menos desenvolvidos. Segundo ele, a Ômicron mostrou que, num contexto globalizado, não basta altas coberturas vacinais a nível local. “Os países desenvolvidos precisam colaborar para que a vacinação atinja toda a população”, afirmou.

Em relação a Pelotas, o epidemiologista acredita que mesmo com a queda no número de casos, internações e óbitos, depois do pico no início de fevereiro, o município ainda tem um cenário de alta transmissibilidade, com número muito acima do ponto de corte de 100 casos novos a cada 100 mil habitantes por semana, considerado pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, como situação de alta transmissão.

Para a secretária de Saúde de Pelotas,
Roberta Paganini, o município fez um
bom trabalho durante o período. (Foto: Rodrigo Chagas/Prefeitura de Pelotas)

Segundo Roberta, Pelotas já está reorganizando a estrutura municipal de Saúde para uma nova fase. Com o anúncio do encerramento dos leitos clínicos e previsão de uma adequação dos leitos de UTI, além do fim das atividades do Centro Covid em abril, cuja estrutura futuramente integrará o Hospital de Pronto Socorro Regional.

A secretária avalia positivamente a forma com que Pelotas combateu a pandemia de coronavírus. Recentemente, o Município foi, inclusive, reconhecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) pelo trabalho realizado frente à Covid-19. “Além de termos conseguido dar assistência aos pacientes infectados pelo coronavírus, mantivemos os demais serviços e ainda conseguimos alguns resultados positivos, como a diminuição da taxa de mortalidade infantil”, destacou a secretária.

Flexibilizações
Ao longo dos últimos dois anos, a pandemia também foi marcada por flexibilizações em protocolos para evitar a transmissão. A mais recente ocorreu na quinta-feira (24), quando o uso de máscaras de proteção contra a Covid-19 se tornou facultativo ao ar livre em Pelotas, decisão que já havia sido tomada por diversos municípios da Zona Sul e do estado.

O Decreto nº 6.557, tornou o uso da máscara em ambientes abertos optativo, desde que a pessoa não apresente sintomas gripais. Como a obrigatoriedade do equipamento foi estabelecida em lei, ainda em 2020, havia a necessidade de que o Executivo enviasse um projeto à Câmara Municipal para alterar a legislação. A Lei Municipal nº 6.819, de julho de 2020, portanto, foi alterada pela Lei nº 7.043, aprovada na quarta-feira (23). Segundo nota divulgada pela prefeitura, Paula pondera que a população precisa se manter alerta e continuar com os cuidados necessários.

Centro Covid, que recebeu pacientes com a doença, será desativado. (Foto: Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas)

Correa destaca que, do ponto de vista científico, o risco de contaminação em ambientes abertos e sem aglomeração é muito baixo e, nestes casos, seria possível flexibilizar o uso de máscaras em locais onde haja distanciamento entre pessoas, mas acredita que no caso de eventos, como shows, a exigência do equipamento deve permanecer, devido à aglomeração. “Importante ressaltar que a flexibilização não deve ser interpretada como recomendação. Assim, segue recomendável o uso de máscaras em ambientes públicos, principalmente pelas pessoas em grupos de risco”, destaca.

“Nos aproximamos do fim da pandemia, com os resultados positivos que tivemos, e ainda com novos serviços abertos nesse período, como os 18 leitos Covid que vão ficar como leitos de UTI geral para a rede de saúde, e isso é muito importante”, pontua Roberta.

Consequências da pandemia
Outra consequência deixada pela pandemia, foi a crise econômica que atingiu com força o país. O economista Gustavo Frio lembra que em 2020 o Brasil vinha retomando de uma crise que havia atingido o país ainda antes da pandemia.

Com a chegada da vírus, os anos de 2020 e 2021 foram marcados pelas quedas de atividades econômicas e, até mesmo, fechamentos durante alguns períodos, o que gerou impacto bastante significativo na economia brasileira. “Em 2022, com o avanço da vacinação espera-se que não tenha esse tipo de fechamento. Tivemos uma onda de muitos e muitos casos que foi da Ômicron, mas não o fechamento de comércios”, afirma o economista, que acredita no crescimento econômico, considerando que não haja nova interrupção.

Para ele, os novos formatos de trabalho adotados durante a pandemia podem ser positivos para o crescimento econômico. “A pandemia obrigou muita gente a trabalhar em home office e as empresas acabaram se adaptando ao modelo e mudando. Muitas empresas aderiram a isso. Isso também muda um pouco as relações trabalhistas”, pontua.

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