Tarde de campo aborda cultivares de batata e produção orgânica em Pelotas

Foram apresentadas oito variedades de batatas durante o evento. (Foto: Julia Barcelos/JTR)

Uma tarde de campo sobre batatas foi realizada pela Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, no dia 11 de ju­nho, integrando a reunião de junho do Fórum da Agricul­tura Familiar da região sul do Estado. O objetivo principal foi discutir a produção orgânica da planta e apresentar aos produtores locais as cultivares desenvolvidas pela Embrapa. Durante a reunião do Fórum, agricultores, técnicos e pesquisadores puderam trocar experiências e conhecimentos. A apresentação das cultivares incluiu detalhes sobre suas características agronômicas, como produtividade e resistência às doenças, e as qualidades culinárias, como sabor, textura e versatilidade.

“A batata é um alimento básico e é rápido de produzir também. A batata é interessante no sentido que em três meses tu consegues encerrar um ciclo e ter uma produ­ção relativamente boa”, disse o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Eberson Eicholz, responsável pela pa­lestra sobre a produção orgânica na tarde de campo. O pesquisador explicou que no Rio Grande do Sul a produ­ção de batata é significativa, principalmente para o auto­consumo. Por conta disso, existe uma procura maior por batatas produzidas de forma orgânica. “Produzir sem nenhum produto químico, sem adubo e sem, digamos, agrotóxicos, acaba sendo um atrativo, principalmente, para públicos de mais idade, inclusive para a alimenta­ção de crianças”, afirma Eicholz.

Na palestra, o pesquisador abordou questões fun­damentais para que o produtor tenha um bom sistema orgânico. Por não ser utilizado nenhum agroquímico, os cuidados começam desde a escolha da área a ser planta­da e fazer os manejos adequados, como adubação, uso de microrganismos benéficos para o controle de insetos, etc. Outra questão importante é o controle de doenças, sendo necessário fazer o manejo preventivo na planta­ção. “Eu acho que o fundamental, assim, na questão da batata é o plantio na época adequada, selecionar culti­vares adequadas e obter sementes de agricultores licen­ciados ou que tenham conhecimento e que não tenham doenças problemáticas, digamos assim”, completou Ei­cholz.

Ao todo, foram apresentadas oito cultivares durante o evento, sendo elas: BRSIPR Bel, BRS Ana, BRS Clara, BRS 183 Potira, BRS F50 Cecília e BRS Gaia da Embrapa, e as cultivares Macaca e Baronesa. Cada variedade possui ca­racterísticas específicas que influenciam no desenvolvi­mento agronômico da planta e para o preparo culinário. O coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Clima Temperado, Arione Pereira, salien­ta que a variedade de cultivares de batatas da Empresa atende às exigências de mercados diferentes. “Com isso, ela poderá atender melhor ao consumidor, à medida que aquele tipo de variedade atenda às expectativas. Se ele comprou a batata para fritar ou para vender no mercado de fritura, ela deve ter as características adequadas para isso”, sublinhou.

No conhecimento popular, a cor da película da batata, também chamada de casca, influencia na aptidão culiná­ria. Entretanto, essa afirmativa está equivocada. A apti­dão é definida pela cultivar. A analista da Embrapa Clima Temperado, Fernanda Quintanilha, explicou que existe uma grande diferença entre as batatas de película ver­melha e as de película branca. Os fatores que interferem no preparo, no entanto, estão relacionados, por exemplo, à matéria seca e à concentração de açúcares no tubércu­lo. “Nós estamos cada vez mais buscando propagar essa informação para que o consumidor exija isso e, por ve­zes, não deixe de consumir batatas por estar consumin­do uma variedade inadequada ao seu propósito de uso”, disse Fernanda. A analista acrescenta que existe uma di­ficuldade do mercado em vincular o nome da variedade e o propósito para que o consumidor compre a variedade mais adequada.

Últimas cultivares lançadas pela Embrapa

Em 2023, foi lançada a BRS Gaia – uma variedade de batata idealizada para pequenas propriedades e focada no autoconsumo. A BRS Gaia se destaca pela cor averme­lhada da casca e pela boa aparência dos tubérculos, ca­racterísticas que atraem os consumidores e os produto­res da região sul do país. Esta variedade é recomendada para sistemas de transição agroecológica e para rotação com a cultura do fumo. Além de uma produtividade de 25 toneladas por hectare, a BRS Gaia possui alta tolerância ao calor e tolerância intermediária à murcha-bacteriana. Seu alto teor de matéria seca a torna versátil na culinária local, sendo ideal para purês e fritas.

Já no ano anterior, em 2022, foi lançada a cultivar BRS F50 Cecília. Essa variedade possui um potencial produti­vo elevado, podendo alcançar 45 toneladas por hectare, sendo indicada para sistemas orgânicos devido à sua re­sistência a doenças foliares, o que também reduz a ne­cessidade de defensivos químicos. Também é adequada para cultivo na safra de verão em áreas de maior altitude no Sul do Brasil, apresenta um ciclo vegetativo médio de cerca de 110 dias. A BRS F50 Cecília também tem dupla finalidade de uso culinário, sendo ideal para cocção e fri­tura. Possui polpa amarelo-clara, película amarela e lisa, formato ovalado e gemas rasas. Além disso, tem textura firme e não farinhenta após o cozimento, com sabor ca­racterístico.

A BRS Gaia tem dupla aptidão culinária, podendo ser utilizada para frituras e purê. (Foto: Julia Barcelos/JTR)
A BRS F50 Cecília também tem dupla aptidão e pode ser preparada frita ou cozida. (Foto: Divulgação/Embrapa)

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