Uma tarde de campo sobre batatas foi realizada pela Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, no dia 11 de junho, integrando a reunião de junho do Fórum da Agricultura Familiar da região sul do Estado. O objetivo principal foi discutir a produção orgânica da planta e apresentar aos produtores locais as cultivares desenvolvidas pela Embrapa. Durante a reunião do Fórum, agricultores, técnicos e pesquisadores puderam trocar experiências e conhecimentos. A apresentação das cultivares incluiu detalhes sobre suas características agronômicas, como produtividade e resistência às doenças, e as qualidades culinárias, como sabor, textura e versatilidade.
“A batata é um alimento básico e é rápido de produzir também. A batata é interessante no sentido que em três meses tu consegues encerrar um ciclo e ter uma produção relativamente boa”, disse o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Eberson Eicholz, responsável pela palestra sobre a produção orgânica na tarde de campo. O pesquisador explicou que no Rio Grande do Sul a produção de batata é significativa, principalmente para o autoconsumo. Por conta disso, existe uma procura maior por batatas produzidas de forma orgânica. “Produzir sem nenhum produto químico, sem adubo e sem, digamos, agrotóxicos, acaba sendo um atrativo, principalmente, para públicos de mais idade, inclusive para a alimentação de crianças”, afirma Eicholz.
Na palestra, o pesquisador abordou questões fundamentais para que o produtor tenha um bom sistema orgânico. Por não ser utilizado nenhum agroquímico, os cuidados começam desde a escolha da área a ser plantada e fazer os manejos adequados, como adubação, uso de microrganismos benéficos para o controle de insetos, etc. Outra questão importante é o controle de doenças, sendo necessário fazer o manejo preventivo na plantação. “Eu acho que o fundamental, assim, na questão da batata é o plantio na época adequada, selecionar cultivares adequadas e obter sementes de agricultores licenciados ou que tenham conhecimento e que não tenham doenças problemáticas, digamos assim”, completou Eicholz.
Ao todo, foram apresentadas oito cultivares durante o evento, sendo elas: BRSIPR Bel, BRS Ana, BRS Clara, BRS 183 Potira, BRS F50 Cecília e BRS Gaia da Embrapa, e as cultivares Macaca e Baronesa. Cada variedade possui características específicas que influenciam no desenvolvimento agronômico da planta e para o preparo culinário. O coordenador do Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Clima Temperado, Arione Pereira, salienta que a variedade de cultivares de batatas da Empresa atende às exigências de mercados diferentes. “Com isso, ela poderá atender melhor ao consumidor, à medida que aquele tipo de variedade atenda às expectativas. Se ele comprou a batata para fritar ou para vender no mercado de fritura, ela deve ter as características adequadas para isso”, sublinhou.
No conhecimento popular, a cor da película da batata, também chamada de casca, influencia na aptidão culinária. Entretanto, essa afirmativa está equivocada. A aptidão é definida pela cultivar. A analista da Embrapa Clima Temperado, Fernanda Quintanilha, explicou que existe uma grande diferença entre as batatas de película vermelha e as de película branca. Os fatores que interferem no preparo, no entanto, estão relacionados, por exemplo, à matéria seca e à concentração de açúcares no tubérculo. “Nós estamos cada vez mais buscando propagar essa informação para que o consumidor exija isso e, por vezes, não deixe de consumir batatas por estar consumindo uma variedade inadequada ao seu propósito de uso”, disse Fernanda. A analista acrescenta que existe uma dificuldade do mercado em vincular o nome da variedade e o propósito para que o consumidor compre a variedade mais adequada.
Últimas cultivares lançadas pela Embrapa
Em 2023, foi lançada a BRS Gaia – uma variedade de batata idealizada para pequenas propriedades e focada no autoconsumo. A BRS Gaia se destaca pela cor avermelhada da casca e pela boa aparência dos tubérculos, características que atraem os consumidores e os produtores da região sul do país. Esta variedade é recomendada para sistemas de transição agroecológica e para rotação com a cultura do fumo. Além de uma produtividade de 25 toneladas por hectare, a BRS Gaia possui alta tolerância ao calor e tolerância intermediária à murcha-bacteriana. Seu alto teor de matéria seca a torna versátil na culinária local, sendo ideal para purês e fritas.
Já no ano anterior, em 2022, foi lançada a cultivar BRS F50 Cecília. Essa variedade possui um potencial produtivo elevado, podendo alcançar 45 toneladas por hectare, sendo indicada para sistemas orgânicos devido à sua resistência a doenças foliares, o que também reduz a necessidade de defensivos químicos. Também é adequada para cultivo na safra de verão em áreas de maior altitude no Sul do Brasil, apresenta um ciclo vegetativo médio de cerca de 110 dias. A BRS F50 Cecília também tem dupla finalidade de uso culinário, sendo ideal para cocção e fritura. Possui polpa amarelo-clara, película amarela e lisa, formato ovalado e gemas rasas. Além disso, tem textura firme e não farinhenta após o cozimento, com sabor característico.






