
Na quinta-feira (30), o Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Pelotas completou 60 anos. Desde a fundação, em 1963, uma trajetória de lutas marcou a atuação da entidade, que representa também associados de municípios que se emanciparam da Princesa do Sul, como Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu. A sede segue na rua Marechal Deodoro, 765, no Centro de Pelotas.
Ao longo deste período, a perseverança, que já é aliada dos produtores na lavoura, também fez parte da história do Sindicato, que permaneceu mesmo com mudanças sociais e econômicas em diferentes níveis. Neste sentido, o presidente Nilson Löeck, de 78 anos, ressalta que a atuação sindical foi importante para que os interesses dos agricultores familiares fossem preservados, mesmo com trocas de governos, nova Constituição e crises. Este foi também um dos motivos da fundação. “Era cada um por si, Deus por todos. O agricultor não tinha direito a nada, principalmente as mulheres”, disse.
Com isso, havia um movimento no estado para a criação de entidades que pudessem defender os interesses dos produtores, o que também ressoou em nível regional. Em Pelotas, chegou a reunir quase cinco mil associados, número que atualmente chega a três mil. A diminuição de sucessão rural, perda de interesse ou condições dos agricultores são alguns dos fatores que explicam a redução, aponta Löeck.

Mas isso não impede a entidade de atuar em prol de toda a classe, associados ou não associados. E esse esforço se dá tanto na assistência direta quanto na mobilização em torno de direitos dos trabalhadores. Um exemplo é a manutenção das idades para aposentadorias de homens e mulheres após a reforma previdenciária, aprovada em 2019, 60 e 55, respectivamente, com pelo menos 15 anos de trabalho rural.
Na liderança do Sindicato, estiveram três presidentes: Walter Seus, presidente da junta governativa que criou a entidade; Mario Pedro Prietsch, segundo presidente; e Julio Honorio Da Silva, o terceiro. O quarto é Löeck, que está no quarto mandato, com término em 2026. Na entidade, começou no conselho fiscal, passou a secretário, assumindo a presidência de forma interina esporadicamente até ser eleito como titular.
Ao longo desses anos, ele destaca o reconhecimento ao trabalho oferecido pelo Sindicato aos produtores, associados ou não associados, como assistência jurídica e acesso a insumos. “Somos especialistas em sementes importadas para olericultura”, salienta. Há também a loja, que possui preços acessíveis aos trabalhadores. Para os sócios, parte dos valores pagos na compra de produtos são descontados nas mensalidades ao final do ano. Os associados também dispõem de atendimento médico oferecido pelo Sindicato e uma rede de conveniados.
Para o futuro, o desejo de Löeck é manter a atuação sindical em benefício aos trabalhadores agricultores de forma coletiva, sem que haja individualismo. ”Continuar sempre em defesa da agricultura familiar”.



