Reunião Técnica do Morangueiro alerta para cuidados com a plantação, principalmente durante o período de chuvas intensas

A Reunião Técnica foi um momento de troca de conhecimentos e fortalecimento da cadeia produtiva na região de Pelotas. (Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa Clima Temperado)

No dia 23 de maio, foi realizada a Reunião Técnica do Morangueiro na sede da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas. O evento, que ocorre anualmente, foi promovido pela Embrapa, Emater/RS-Ascar, Prefeitura de Pelotas e Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Pelotas. O objetivo principal do encontro foi atualizar os produtores sobre os cuidados necessários para a plantação de morangos.

A edição deste ano contou com palestras focadas em diversos aspectos do manejo do morangueiro. Os pesquisadores da Embrapa abordaram as práticas para a implantação e manejo da cultura. Os extensionistas da Emater/RS-Ascar, por sua vez, deram ênfase ao manejo da adubação e fitossanitário, oferecendo orientações sobre como otimizar a fertilização e combater pragas e doenças.

Na parte prática do evento, houve uma demonstração sobre o preparo de enxofre líquido utilizando o método Jadam, conhecido pela eficácia no combate a doenças das plantas, oferecendo aos produtores uma alternativa eficiente e sustentável para proteger suas lavouras.

A produção de morangos na atual situação do Rio Grande do Sul

A Embrapa Clima Temperado lançou em 2023 a cultivar de morango BRS Fênix com um maior período de produção. (Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa Clima Temperado)

A área rural de Pelotas foi atingida pelas cheias. Segundo dados da Emater/RS-Ascar, o município é o maior produtor de morangos do Estado. Em 2023, a área cultivada era de cerca de 42,5 hectares com produção de 1,7 mil toneladas. Ao todo, são 200 famílias produtoras de morango. Ainda não há previsões de como será a próxima safra, mas o grande volume de chuvas e os poucos dias de sol já prejudicam a produção da região.

“A partir do pressuposto que muitos produtores já plantaram antes do início dessas chuvas, se for no solo, corre o risco dele enxarcar muito e pode matar a planta, assim aumentando a taxa de mortalidade da produção,” explica o pesquisador da Embrapa Clima Temperado Luís Eduardo Antunes. Ele diz também que tanto na plantação no solo como fora do solo, o prejuízo no desenvolvimento vegetativo é grande, já que a planta não consegue realizar o processo fotossintético devido às baixas temperaturas e a ausência de sol.

Os produtores que já tinham morangueiros plantados de anos anteriores, principalmente nas estufas, a umidade relativa e a falta de luz aumentam as podridões na produção. Essas condições aumentam a probabilidade de ter Botrytis na produção, um fungo que causa o apodrecimento dos frutos.

A Reunião Técnica pode contribuir para os produtores na gestão da propriedade neste momento. Quanto aos cuidados abordados, é necessário que os agricultores escolham uma área que seja drenada e não acumule água em excesso na produção do solo. “Porque com a tendência de encharcamento do solo, o lençol freático sobe. Então, se a área de produção é muito baixa ou se ela está suscetível ao encharcamento, o produtor precisa fazer canteiros mais elevados e cuidar para que essa água saia da melhor maneira possível daquela área,” explica Antunes.

Para os produtores que cultivam em estufas ou estão montando abrigos, é importante proteger as estruturas dos ventos. Uma forma de prevenção é instalar quebra-ventos, que são cortinas florestais, para que as estufas sejam atingidas diretamente.

A cautela para o pós-enchente é com as águas dos açudes que, neste momento, estão enchendo devido às chuvas constantes da região. “É preciso de ter cuidado com a qualidade da fonte de água que o produtor vai utilizar depois na produção dos morangos” ressalta Antunes. Para isso, é necessário fazer uma análise da água, uma vez que pode estar embarrada, com argila ou com suspensão de matéria orgânica.

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