Pêssego começa a chegar em maiores volumes aos consumidores

Aumento das vendas em relação ao ano passado foi de mais de 105%. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

O ano passou depressa e chegamos mais uma vez à época da colheita do pêssego. De mesa ou de indústria, o trabalho nos pomares se intensifica e o cheiro da fruta se espalha pelo ar à medida que nos aproximamos das regiões produtoras. A partir desta sexta-feira (26), os consumidores passam a ter mais uma opção para aquisição da fruta, tanto no Centro quanto nos bairros, com a abertura oficial da Feira do Pêssego, no Mercado Público de Pelotas.

Foi realizada uma solenidade com a participação dos produtores que estarão oferecendo a fruta e produtos derivados nas diversas bancas. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Rural de Pelotas, Jair Seidel, este ano, novamente, não haverá a tradicional Festa do Pêssego, apenas a Feira, que se estende até o dia 11 de dezembro, com bancas de dez produtores participantes. “Além do Mercado Público, haverá bancas ainda, nos bairros e no Laranjal”, diz.

Segundo Seidel, a perspectiva de produção é positiva. A fruta está com boa qualidade e bom número de frutas por pé, o que aponta para uma boa colheita. “A nossa expectativa com essa feira é oportunizar a comercialização e estimular o consumo pela população urbana, além de dar uma visibilidade maior à condição regional de maior produtor de pêssego de compota do Brasil”, ressalta. Nas feiras, serão comercializadas as frutas de mesa, que têm produção maior a cada ano e, também as de duplo propósito, que servem tanto para o consumo in natura quanto para a indústria, o que, segundo Seidel, garante uma boa oferta de frutas à população. A expectativa é que a produção no município seja de cerda de 30 mil toneladas, chegando a 45 mil somando-se a colheita da região.

Na indústria, o secretário aposta que este deverá ser um dos melhores anos também na produção de compotas. “Calculamos que pelo menos 40 milhões de latas deverão ser produzidas aqui na região, 30 milhões apenas no município de Pelotas”, diz, ressaltando ser esta uma expectativa inicial, e que estes números podem ser ultrapassados.

Variedade BRS Mandinho será apresentada ao mercado
No campo, os produtores ainda veem este início de safra com cautela. Diante dos aumentos consideráveis nos custos de produção, calculados entre 35% a 40%, e o preço mínimo de remuneração da fruta apontado pela indústria (de R$1,65 pelo quilo da fruta tipo 1 e R$ 1,45 o quilo da fruta tipo 2), deixa os produtores descontentes. Estes são preços de referência, o que não impede a negociação entre produtor e indústria por melhores preços, conforme a qualidade da fruta ofertada. Além disso, alguns produtores se voltam ao mercado in natura, onde conseguem obter melhores remunerações.

Pêssego Mandinho tem polpa mais firme e é mais doce, além de ser menor. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

É o caso do presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Pêssego (AGPP), Mauro Scheunemann, que direcionou os pomares da sua propriedade, localizada na Colônia São Manoel, no interior de Pelotas, à produção de frutas de mesa. Este ano ele ficará responsável por apresentar uma novidade aos consumidores, a BRS Mandinho, uma variedade de polpa firme e adocicada, que produz frutos menores, em formato de bolacha, e com cores vibrantes, segundo o produtor, voltadas ao público infantil.

Na propriedade, este é o segundo ano de colheita em pomar experimental, com 150 plantas, conduzido em conjunto com a Embrapa Clima Temperado e sob a orientação técnica da pesquisadora e melhorista Maria do Carmo Raseira. “É um produto novo que ainda não se conhece a aceitação pelo consumidor”, diz Scheunemann. Segundo ele, trata-se de uma fruta de caroço pequeno e de pouca exigência em frio, apenas 150 horas. A fruta fica pronta para ser colhida a partir da segunda quinzena de novembro. Além da feira, o produtor aponta que irá buscar outros mercados, como fruteiras, supermercados e ainda a merenda escolar, já que a fruta visa atingir o público infantil.

Presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Pêssego (AGPP), Mauro Scheunemann direcionou os pomares da sua propriedade,
localizada na Colônia São Manoel, no interior de Pelotas, à produção de frutas de mesa. Foto: Adilson Cruz/JTR

Nos demais pomares, Scheunemann já finalizou a colheita da variedade Bonão e se encontra em plena colheita da Sensação, as duas de mesa. Segundo ele, estas primeiras variedades apresentaram rendimento abaixo do esperado, especialmente no que diz respeito ao tamanho dos frutos, que estão menores do que em anos anteriores. “O Sensação está com sanidade boa apesar do tamanho, pois quanto mais graúda a fruta mais rápido ela estraga”, diz o produtor. Ele conta que a fruta menor tem uma durabilidade de até três dias a mais após ser colhida.

Scheunemann salienta que este baixo rendimento nas primeiras variedades colhidas estão relacionados com a insuficiência de chuvas para os pomares e também a ocorrência de noites frias, o que deixa o pêssego mais miúdo.

A colheita, que começou no final do mês de outubro, com as variedades Bonão e Sensação, se estende agora à Granada, de duplo propósito, até o final do mês de novembro. Depois segue com as variedades Jade, Esmeralda, Maciel, Santa Áurea e Eldorado. A expectativa é de que se estenda até a segunda semana do mês de janeiro.

Colheita
As primeiras cultivares de pêssego ficam prontas para serem colhidas a partir de 20 de outubro. A colheita se intensifica entre 1º de novembro e 31 de dezembro, quando se concentra 90% da safra. Algumas cultivares mais tardias se estendem até o mês de janeiro. Noventa por cento da fruta produzida na região é destinada à indústria, para a produção de compotas. Mas cresce também a destinação ao mercado de mesa e os produtores têm ampliado a produção de frutas de duplo propósito.

Segundo dados da Emater, a região tem implantados 4.962 hectares de pêssegos destinados para as indústrias locais de processamento da fruta, principalmente para pêssegos em calda, e ainda polpa, sucos, saladas de frutas e doce em pasta. São 953 produtores envolvidos. As produções da fruta e da conserva são tradicionais da Região, do RS e do Brasil, com registros históricos da década de 60. Destaque para o município de Pelotas, com a maior área cultivada, que chega a 2,7 mil hectares, e o maior número de famílias envolvidas, com 605 persicultores.

Pesquisadora fala sobre a BRS Mandinho
A pesquisadora Maria do Carmo Raseira, responsável pelo desenvolvimento da BRS Mandinho, conta que esta é uma variedade Botânica e, ao contrário do que muitos pensavam, de que se tratava de um cruzamento do pêssego com ameixa ou nectarina, é uma variante, uma mutação do pêssego ocorrida há milhares de anos na China e que se tornou famosa na Europa e nos Estados Unidos. “Além do seu formato mais fácil de morder, possui características mais doces e também é mais cara do que o pêssego redondo”, diz.

Variedade Mandinho tem menor exigência de frio, de apenas 100 horas, segundo a pesquisadora Maria do Carmo Raseira. Foto: Adilson Cruz/JTR)

Segundo ela, a variedade conquistou os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, vindo de outros países, principalmente da Espanha e com preço alto. Inicialmente conhecida como pêssego paraguaio ou donuts, os brasileiros começaram a chamá-lo de pêssego bolachinha.
“Em 2010, quando finalmente foi lançado pela Embrapa, notamos que todas as crianças que provavam a fruta, adoravam”, afirma Maria do Carmo. Com isso, ela conta que a variedade se caracterizou como voltada para o público infantil, pois cabe na lancheira e se constitui em opção mais saudável para a merenda escolar.

“Após o lançamento, em 2010, erramos em duas coisas. Além de não haver um marketing da fruta, não havia uma sequência de produção, um tempo maior de oferta da fruta e é nisso que se está trabalhando hoje”, lembra.

Entre as características ressaltadas pela pesquisadora está a polpa mais firme, quase tipo conserva, e além de mais doce, a fruta possui sabor mais equilibrado e cor bonita. O nome Mandinho, segundo ela, surgiu com a necessidade de adaptá-lo à linguagem regional, pois significa piá, guri pequeno.

Uma das vantagens salientadas por Maria do Carmo é em relação à adaptação da fruta, que tem uma exigência menor de frio, de apenas 100 horas. Segundo ela, as mudas desta variedade estão disponíveis aos interessados junto aos vivieiristas licenciados pela Embrapa.

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