
Equipe do escritório municipal da Emater inaugurou duas agroindústrias em Pelotas no roteiro técnico realizado na terça-feira (30). Foram formalmente abertas a Agrosell, única especializada na produção e envasamento de mel no município, e a Vinhos Potenza, na Colônia Maciel, zona rural, que produz vinho tinto de mesa e suco de uva. O roteiro, acompanhado pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) e pelo vice e secretário de Desenvolvimento Rural, Idemar Barz (PSDB), terminou com visita à Granja Bender, na colônia Santa Eulália.
A primeira parada foi no Sítio Floresta, Zona Norte, onde a Agrosell opera desde março de 2023. A regularização garantiu aos produtores Udo Sell e Andréa Motta um espaço para comercialização no Pavilhão da Agricultura Familiar da 29ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce), evento de maior projeção que o casal participou até então.
O chefe do escritório municipal, Francisco Arruda, entregou o certificado que oficializa o empreendimento no Programa Estadual de Agricultura Familiar. Arruda também destacou a participação do município no processo, como o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e Prefeitura. O papel da Emater também foi lembrado: “Se o Udo [Sell, produtor] fosse contratar serviços particulares para viabilizar a agroindústria os custos seriam altíssimos, a Emater presta essa assistência de forma gratuita”, ressaltou.
O produtor destacou o apoio no trâmite burocrático. “A gente não tem muito conhecimento sobre isso, sem a Emater seria impossível”, agradeceu ele, que no momento qualifica a produção ao adquirir um descristalizador e um decantador junto ao Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) – investimento de R$ 9.520,00 – 80% dele subsidiado pelo Estado. O produtor arca com o restante, parcelado em três anos. “Vai ajudar um monte”, empolga-se. ”É um equipamento moderno, capaz de descristalizar mel em 48 horas – quanto mais equipamentos a tivermos melhor se trabalha, com mais rapidez e eficiência”, elogiou Sell, cujo objetivo é dobrar a produção, atualmente em cinco mil quilos por ano. Em 2023, devido ao El Niño, ficou longe da meta. Água em excesso lava o néctar da flor, afasta a abelha e compromete a produção.
Para 2024 o casal pretende ampliar a vitrine do produto, participando de eventos abertos à agricultura familiar. Estão confiantes. Ele assegura que não está arrependido de trocar a construção civil, a qual, durante anos, foi seu principal sustento. “Devagarinho dá certo, é mais trabalhoso, mas é gratificante”, destaca.
Vinho e suco de uva
Inaugurada oficialmente na terça, a produção de uva, suco, e vinho da agroindústria Vinhos Potenza é uma tradição familiar centenária. O atual núcleo, que tem à frente o casal Moisés Teixeira e Angélica Potenza, partiu para a regularização pouco antes da pandemia – processo que se consolidou em março passado. “É um verdadeiro resgate cultural”, diz o técnico do escritório municipal da Emater, Rodrigo Prestes.
A produção do suco começou depois, quando o casal percebeu o potencial desse mercado, especialmente na merenda escolar. Chegam a ter problema de oferta diante da expansão da demanda. Reflexo de que a opção por beneficiar a uva da propriedade foi bom negócio. “Pessoal procura mais, uma porta nova se abriu no mercado”, diz Moisés.
Tal receptividade obriga a família a ampliar a produção, realizada em um hectare. Projetos neste sentido tramitam na Emater. Na outra ponta, a comercialização, com participação em eventos como Festa do Morango e Expofeira Pelotas. “O mais importante foi que o consumidor percebeu a qualidade do produto, e isso nos deixa muito satisfeitos”, afirma Prestes.
O casal chega a produzir 19 mil litros de vinho e suco por ano numa “safra normal”. Não é o caso da atual. Com o El Niño, ele acredita que a produtividade não passe das cinco toneladas. “O que não impede a produção de uma uva, de um vinho e de um suco de qualidade”, adverte Prestes. “Pessoal da Argentina, que produz em área de umidade relativa baixa, não sabe como se produz uma fruta de qualidade aqui”, afirma o técnico da Emater.
Atualmente, 90% da produção da Vinhos Potenza é comercializada na propriedade. Contatos para aquisição dos produtos podem ser feitos pelo WhatsApp (53) 98119-6695 – com Moisés.
Granja Bender
A última parada do roteiro técnico, a Granja Bender é uma potência na produção de hortifrutigranjeiros no interior do município, com pomares e lavouras de pêssego, morango, todo o tipo de tomates e pimentões, pepinos, abóboras e hortaliças. Neste ano se introduziu cebola, em cinco hectares. Além de feiras e bancas em Pelotas e Caçapava do Sul, a produção dos Bender abastece o mercado varejista de uma faixa que vai de Santana do Livramento à Região Metropolitana. Próximo passo, em tramitação na Emater, é regularizar uma agroindústria especializada em geleias e sucos.
A prefeita se surpreendeu com o que viu. “Já sabia da qualidade dos produtos Bender, mas não tinha ideia da estrutura envolvida, que se alcançou com muito trabalho desde muito cedo – é um exemplo para o nosso pequeno agricultor”, celebra.
Já o chefe do escritório municipal destacou que o roteiro é uma vitrine das políticas públicas que a Emater executa. “É uma oportunidade de levar o poder público ao meio rural para ver in loco o resultado de políticas voltadas à agricultura familiar”, afirmou Francisco Arruda. Conforme ele, as agroindústrias visitadas foram beneficiadas por diversas iniciativas com objetivo de oferecer alternativas de desenvolvimento das famílias, de permanência no meio rural, diversificação de produção e menor penosidade do trabalho no campo. “É uma prestação de contas que fazemos à sociedade”, concluiu.
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Fotos: Roberto Ribeiro/JTR










