Violência contra a mulher no RS tem crescimento de 6,46% em comparação a 2022

Violência contra a mulher. (Foto: Pixabay)

O número de casos de violência contra a mulher cresceu 6,46% no Rio Grande do Sul entre os meses de janeiro a outubro deste ano em comparação ao mesmo período de 2022, conforme o Monitoramento dos Indicadores de Violência contra as Mulheres no Rio Grande do Sul, da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP). Em 83,15% dos casos, o responsável é o companheiro ou ex-companheiro, conforme dados apresentados no Dossiê Feminicídios no Rio Grande do Sul, produzido pela Lupa Feminista.

Conforme a SSP, em 2022, de janeiro a outubro, foram registrados o total de 42.846 casos de violação contra as mulheres, incluindo nessa lista: tentativas de feminicídio, feminicídios, ameaças, estupros e lesão corporal. Em 2023, esse número cresceu exponencialmente para 45.616, representando um aumento de 6,46% em comparação ao ano anterior.

Em relação aos feminicídios, houve queda. De acordo com a pasta, em 2022, até o mês de outubro, haviam sido registrados 92 casos no estado, e embora o número seja maior em comparação ao de 74 registrados durante o mesmo período em 2023, a situação causa preocupação aos moradores da região, que encontram-se face a face com o que pode ser descrito como uma nova onda de violência contra a mulher.

A conselheira no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM RS) e co-coordenadora da Lupa Feminista, Niara de Oliveira, declara que no Brasil existe um perfil das vítimas de feminícidio e que, na maior parte das vezes, essas mulheres não sabem de todos os serviços e equipamentos onde elas poderiam buscar ajuda ou abrigo. “No Brasil o perfil da vítima de feminicídio é negro, jovem, mãe, periférico, baixa escolaridade. No RS difere apenas no racial. A vítima de feminicídio é em sua maioria uma mulher jovem, pobre, com baixa escolaridade e com filhos”, afirma.

Atualmente, nos municípios de abrangência do Jornal Tradição Regional, Pelotas é a cidade que registrou o maior número de feminicídios em 2023 – um total de 4, em comparação a Rio Grande, que marca 1. Inúmeros fatores contribuem e manifestam este cenário de violência que torna cotidiana a ideia de um novo caso de feminicídio surgir apenas 15 dias após outro.

No dia 17 de outubro, o feminicídio vitimou, em Pelotas, Maria Vani Rodrigues Kellermann, de 59 anos. Vani chegou a ser levada para atendimento médico, mas acabou não resistindo aos ferimentos de faca desferidos pelo ex-companheiro. Por sua vez, no dia 1º de novembro, a vítima foi Tatiane Amaral da Rosa, de 31 anos. Ela foi agredida pelo companheiro e quando encontrada pela Brigada Militar, já estava morta.

Conforme fontes ouvidas pela reportagem, o agressor está em liberdade para responder ao processo. Em atualização sobre o caso, a delegada Márcia Chiviacowsky, à frente da Delegacia da Mulher de Pelotas (DEAM), informou que o caso não está sendo tratado como feminicídio. “A perícia concluiu que as agressões provocadas pelo companheiro não foram a causa da morte dela. Não determinou qual foi a causa da morte, mas excluiu o crime de feminicídio,” revelou.

Niara destaca que medidas de enfrentamento ao feminicídio, tanto em nível municipal quanto estadual, dependem de soluções igualmente complexas. “Só é possível articulando vários poderes e várias instâncias desses poderes para agirem de forma conjunta, interdisciplinarmente, em rede”.

Segundo ela, atualmente, todos esses serviços e equipamentos funcionam de forma isolada. “E daí, por mais que tenham recursos, profissionais habilitados e dedicados, não conseguirão evitar feminicídios. O que falta hoje, além desse funcionamento em rede – não basta dizer que a rede existe, é preciso funcionar articuladamente em rede e ela tem falhado”, ressalta a conselheira.

Subnotificação
De acordo com a delegada Cristiane Ramos, diretora da Divisão de Proteção à Mulher do Rio Grande do Sul, o aumento dos registros das demais ocorrências não pode ser lido como o aumento da violência em si, uma vez que a violência contra a mulher é muito subnotificada. “Quando há um aumento nos registros em geral, nossa leitura é positiva, pois mais mulheres estão registrando e pedindo medidas protetivas,” relata a diretora.

“O dado mais objetivo que temos é feminicídio porque nesse caso não tem como haver subnotificação já que todos os casos de morte são notificados,” explica.
No Brasil, dados informados em recente pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), University of Washington e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), revelam um alto índice de subnotificação de violência contra as mulheres, em que registra-se 98,5%, 75,9% e 89,4% para as violências psicológica, física e sexual, respectivamente.

Saiba como denunciar

– Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs): Em Pelotas a DEAM fica na Rua Barros de Cassal, 516 e contato pode ser feito pelo telefone (53) 3310-8181, todavia, caso não haja uma delegacia especializada na cidade, a denúncia pode ser realizada em qualquer delegacia de polícia;

– Através da delegaciaonline.rs.gov.br. Vítimas podem relatar as agressões sofridas sem precisar ir até a delegacia, além de o serviço também facilitar a solicitação de medidas protetivas de urgência;

– Ligar 180: A Central de Atendimento à Mulher é um serviço telefônico e disponível 24h em todo o país.

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