Criado há mais de 25 anos pelo médico homeopata e professor da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Roni Quevedo, o Projeto Vi-Vendo tem como objetivo prevenir deficiências visuais permanentes em crianças. Através de testes de visão realizados com a Tabela de Snellen (identificação de letras), crianças entre quatro e 15 anos são avaliadas semestralmente em escolas e instituições assistenciais.
De janeiro a setembro de 2024, foram realizadas 66 avaliações visuais. Dessas, 40 apresentaram alterações, o que representa mais de 60% das crianças testadas. Segundo os dados coletados, a maior parte das crianças com problemas de visão relatou uso excessivo de telas e ausência de atividade física ao ar livre.
Além disso, mais de 70% das que não apresentaram alterações também exageram no tempo de tela, indicando um padrão que pode trazer danos a longo prazo, como miopia e síndrome da visão computacional. “A criança que não enxerga bem, muitas vezes, não sabe que não enxerga e isso prejudica a alfabetização, o interesse pelos estudos e até a autoestima”, explicou Quevedo.

A atuação do projeto foi reconhecida pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), que destacou seu caráter social e preventivo. “O tratamento precoce previne futuros deficientes visuais”, registrou o conselheiro Joaquim José Xavier.
Além dos testes, são aplicados questionários sobre hábitos de vida. Entre os sintomas mais relatados pelas crianças estão dificuldade para enxergar o quadro, dor de cabeça e ardência nos olhos. O problema é reflexo de um estilo de vida cada vez mais dependente de telas, como celulares, computadores e videogames, segundo a avaliação do professor.
O projeto atende instituições como a Casa de Santo Antônio do Menor, Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, Instituto Nossa Senhora da Conceição, Centro da Criança São Luiz Gonzaga, entre outras. As triagens também são realizadas nos campus da universidade e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) gerenciadas pela UCPel e o Hospital Universitário São Francisco de Paula. Caso o teste mostre alguma alteração visual, a criança é encaminhada para atendimento com oftalmologista.
“Queremos evitar que uma criança desista da escola porque não consegue enxergar. O analfabetismo visual tem consequências sociais graves. Por isso, quanto antes identificarmos, melhor”, reforçou Quevedo.
Além das questões visuais, o projeto tem enfrentado obstáculos como a falta de divulgação, mas ainda assim, o Vi-Vendo segue ativo, com o apoio de estudantes da área da saúde, levando atendimento gratuito e essencial a famílias da cidade.




