Produtores encaram a estrada antes do nascer do sol para levar produtos até a zona urbana

Vanilda Vonemann, de 66 anos, afirma que gosta da rotina de produção e comercialização dos produtos produzidos no 9º Distrito de Pelotas, Monte Bonito. (Foto: Stéfane Costa/JTR)

Antes mesmo de o sol despontar na colônia, produtores rurais se preparam para carregar seus caminhões com a colheita da semana para seguir rumo a Pelotas. Feiras de agricultura familiar se distribuem em diferentes locais da cidade, se tornando um ponto de encontro entre os agricultores e a população.

Na rotina, a lavoura e a estrada se tornam companheiras de um dia a dia que tem início ainda no escuro. O agricultor Vanderlei Prietsh, de 56 anos, e sua família costumam sair do município de Morro Redondo por volta das 4h20 com o caminhão carregado com os produtos colhidos na propriedade com destino à Avenida Duque de Caxias. “A gente faz feira três vezes por semana, terças, quintas e sábados e nos outros dias ou a gente está colhendo para essas feiras que a gente faz ou a gente está plantando para ter produção para suprir a feira, não para nunca”, explica.

Esse hábito já ocorre há mais de 40 anos e teve início com o pai de Prietsh. “É a vida de toda a família, meu pai era feirante, eu sou feirante e meus filhos feirantes”, conta.
Justamente pelo tempo de trabalho, ele avalia que a rotina já faz parte da casa. “Com o tempo, cada vez fica mais fácil, parece que a gente vai acostumando, vira uma rotina normal”, revela.

A família ainda costuma, antes de montar seu espaço na feira, passar no Ceasa para trocar os alimentos que têm em excesso e pegar os que estão em falta para completar a variedade da banca. “Pra ter diversificado para quem chegar comprar tudo aqui e ir”, pontua.

Moradora da Estrada da Gama, no 9º Distrito de Pelotas, Monte Bonito, Vanilda Vonemann, de 66 anos, é uma das responsáveis por outra banca que comercializa seus produtos no estacionamento da avenida que atravessa o Fragata. Ela relata que eles costumam sair de casa por volta das 3h30 da manhã para pegar a estrada até a cidade. “A rotina é uma coisa que a gente gosta, tem conhecidos que chegam sempre aqui na banca, é a mesma coisa que estar em casa, muito legal”, ressalta.

Além da feira, ela também participa da entrega semanal de itens para fruteiras do município. “A gente faz feira só aos sábados, durante a semana a gente tem fruteiras que fazemos entregas”, comenta.

Vanilda reforça que, justamente pelo ato de estar na feira todos os sábados, boa parte dos clientes que passam por sua banca já são bons conhecidos, e a compra sempre acaba em um papo descontraído.

Outro exemplo é Guilherme Hellvvig, que tem 60 anos e há 8 anos vem da Cascata para a área urbana da cidade comercializar parte do que produz. E a rotina de vir duas vezes por semana para as feiras da cidade não é nenhum esforço para ele. “Eu gosto da estrada, meu irmão puxa carga, eu fazia isso também, nós fazíamos isso aí, a vida é isso aqui”, garante.
Uma dedicação que supera décadas e gerações, que supera o frio, a noite ou os obstáculos da estrada, assim se constitui a rotina dos produtores que acordam cedo para encarar a estrada em busca de mais um dia de vendas.

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