
A Prefeitura de Pelotas sediou na manhã de quarta-feira (30), a terceira aula do curso “Urgência climática – implementando soluções em territórios urbanos vulneráveis” – iniciativa do Ministério das Cidades no âmbito do Programa Nacional de Capacitação das Cidades (Capacidades). Representantes de secretarias municipais e de instituições de ensino, pesquisa e extensão participaram do evento que está sendo realizado em apenas 12 municípios do Brasil.
Nos três estados do Sul do País, Pelotas, em consórcio com Rio Grande e São Lourenço do Sul, foi a única que teve a proposta aprovada pelo governo federal para receber a capacitação. Simultaneamente, a aula em formato online, no auditório da Seurb, foi assistida por técnicos de secretarias e representantes da academia nos outros dois municípios – os quais sofreram fortemente com a inundação da Lagoa dos Patos ano passado no maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul.
A adaptação dos municípios frente às mudanças climáticas no contexto das zonas ribeirinhas foi um dos conteúdos abordados na aula desta quarta-feira. Ligada à pesca artesanal, a chefe de gabinete da Seurb, Fabiane Fonseca, lembra que as comunidades tradicionais pesqueiras precisam viver “na beira d’água”, de modo que remoção jamais será uma solução. Situação que demanda dos municípios a formulação de estratégias que promovam proteção ambiental com justiça social. “A remoção acabaria com essas comunidades, que somente em Pelotas, Rio Grande e São Lourenço do Sul são pelo menos 22”, afirma.
Para o diretor executivo da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária, Cassius Baumgarten, o curso acerta ao abordar a lógica da produção da cidade, do estado e do mercado, bem como da necessidade, como os núcleos urbanos informais que toda cidade sofre por parte da população que não tem acesso à moradia. “Nos mostra a importância de começar a planejar com esse viés dos eventos climáticos”, afirma o diretor, que também é arquiteto por formação.
A professora do curso de Meteorologia da UFPel, Débora Souza Simões, acredita que a capacitação proposta pelo Ministério das Cidades é uma resistência ao negacionismo como uma proposta de solução. “É preciso valorizar a ciência diante de um problema que não está posto, estamos olhando para um futuro que vai se agravar em termos de impacto climático em todas as esferas, na economia, na sociedade, no meio ambiente”, explica a professora.
O curso começou semana passada, e tem dois meses de duração. Envolve duas aulas semanais das 9h às 12h, numa parceria do Ministério das Cidades com o Lincoln Institute of Land Policy e apoio do World Resources Institute (WRI Brasil). Além de representantes das secretarias dos três municípios, participam professores, da UFPel, Furg, IFSul-sul-riograndense e IFRS.



