
Diante dos indícios e informações, mesmo que extraoficiais, que levam à família a não ter esperanças, Cléverson Kolch, 43 anos, pai Jackson, 23, está ciente e convencido de que o pior aconteceu. “Vivo eu sei que ele não está, mas, ao menos, queríamos os restos, um corpo para sepultar”, declarou o pai, que discorda que o mais velho dos quatro filhos, tenha sido executado por integrantes de uma das duas facções que, a partir de Pelotas, dominam o mercado criminoso da venda de crack na Zona Sul.
Jackson saiu da residência da mãe, Angelita D’ávila da Luz, 36 anos, situada no centro de Piratini, em 10 de fevereiro, e nunca mais foi visto. Todas as notícias ou boatos que chegaram aos familiares através de áudios anônimos ou não, via WhatsApp, bem como comentários em redes sociais, apontam para o final já esperado pela avó, que aceitou conversar com a reportagem do JTR.
“Posso dizer que ele nasceu em minha casa, eu o criei. Inclusive, antes de ele sumir, estava novamente ‘parando’ comigo. Muitas vezes, o alertei quanto aos destinos certos de quem se envolvem com isso (drogas): a prisão ou o cemitério”, relembra Dejanira Kolch, 70 anos, residente no bairro Padre Reinaldo, em Piratini, que teve objetos pessoais e domésticos furtados pelo neto, vendidos para alimentar o vício.
Externando que o coração de mãe fala mais alto que a razão, muito emocionada, Angelita crê no divino para voltar a ver o filho. “Quero que Deus faça um milagre, que ele esteja vivo e retorne para nós, mas, provavelmente, nunca mais o verei”, lamenta.
O pai do jovem encerra a entrevista falando de áudios que a família recebeu, os quais apenas serviram para embasar sua opinião em relação ao filho, mas que, ao mesmo tempo, aumentam a dor e a desesperança em todos, entre estes, nos irmãos de Jackson.
“Já ouvimos de tudo, que ele foi capturado por homens na ponte (BR-293 – Ponte do Costa), foi colocado num saco preto, jogado no porta-malas e levado, bem como chegou para nós que o Jackson foi morto e enterrado em uma lavoura de soja, no 5º Distrito de Piratini. Estamos destruídos, mas ainda rezamos. No meu caso, apenas para achá-lo, mesmo que seja somente a ossada, sepultá-la, e assim, saber aonde ir, que ele está em lugar certo e não, quem sabe, até enterrado como um indigente por aí”, concluiu o pai.



