
“O que muda quando uma cidade cria junto?”. Esse foi o questionamento que deu início ao evento de lançamento do World Creativity Day (WCD) 2026 em Pelotas, na última quarta-feira (11). O encontro, realizado no Parque Tecnológico, reuniu empreendedores, agentes culturais e artistas, a fim de mobilizar a participação pelotense na programação que acontece nos dias 21, 22 e 23 de abril.
O World Creative Day, ou Dia Mundial da Criatividade, é considerado a maior rede colaborativa de festivais criativos do mundo. Celebrado em mais de 100 cidades brasileiras e em diversos países, o movimento acontece simultaneamente a partir do dia 21 de abril, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Criatividade e Inovação. A proposta, apesar de simples, é ambiciosa: conectar pessoas, ideias e iniciativas, potencializando a economia criativa como ferramenta de desenvolvimento socioeconômico.
Em 2025, o WCD alcançou números marcantes de engajamento no Brasil. No total, foram mais de 3.400 voluntários mobilizados, 4.601 inspiradores que compartilharam conteúdos e experiências, 486 anfitriões e 4.712 atividades gratuitas entre diferentes cidades.
Para Henrique Giovanini, colíder da área cultural e de comunicação do projeto, é necessário que as iniciativas saiam do campo das ideias e se tornem práticas coletivas. “Criatividade não é só ter uma boa ideia, mas transformar essa ideia em ação”, afirma. De acordo com ele, cidades criativas não nascem por acaso, mas quando pessoas diferentes compartilham e criam juntas.
“O Dia Mundial da Criatividade existe exatamente por isso. Ele acontece no mundo inteiro para lembrar que a criatividade não é privilégio, mas uma competência coletiva”, destaca. Para Giovanini, grandes movimentos começam em encontros simples, “mas reais e cheios de possibilidades”.
Iniciativa como política pública
Além de integrar a agenda internacional, Pelotas também consolidou o dia 21 de abril no calendário oficial do município. Em 2025, foi instituída a Semana Municipal da Criatividade e Inovação por meio da lei nº 7.384, de autoria do vereador Antônio Peixoto (PSD). A legislação reconhece a criatividade como ferramenta de desenvolvimento, educação e transformação social, aproximando cultura e poder público. De acordo com o parlamentar, a iniciativa envolve especialistas, gestores e setores estratégicos, e promove troca de experiências, acesso a conhecimento e valorização cultural. A lei também está alinhada às diretrizes da Comissão de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara Municipal.
Durante a noite de quarta-feira, a conquista foi celebrada como um marco para a cidade. A organização do evento realizou, após o lançamento oficial, uma confraternização com música, comida, e oportunidade de networking.
Um festival descentralizado
À frente da edição de 2026 está Raul Torma, líder do movimento em Pelotas. Ele ressalta que, apesar de uma grande satisfação, apresentar o projeto ao público é um desafio de ampliar ainda mais a participação voluntária.
Segundo Torma, o diferencial do WCD está no formato colaborativo e descentralizado. “Em vez de levar o público para um local específico, o Dia Mundial da Criatividade potencializa o que já acontece em cada cidade”, explica. A programação do evento será de responsabilidade de 5 anfitriões, territórios criativos espalhados por Pelotas. Cada local terá um foco temático e abrigará atividades alinhadas ao seu perfil.
De acordo com a organização, em 2026, a meta é realizar 50 atividades ao longo dos três dias de programação, com expectativa de alcançar cerca de 1.500 participantes. Para tanto, oficinas, painéis, rodas de conversa, apresentações artísticas e encontros irão compor a agenda do evento.
As inscrições para a submissão de atividades seguem abertas até 23 de fevereiro, através do site oficial do festival em Pelotas. Artistas, empreendedores, educadores, coletivos, empresas e instituições podem propor ações que dialoguem com o conceito de criatividade e suas múltiplas dimensões.
Podem participar
Voluntários – pessoas interessadas em colaborar e apoiar a organização do evento;
Inspiradores – criadores,
profissionais, educadores e artistas que desejam compartilhar conhecimentos, projetos e experiências de forma gratuita;
Anfitriões – espaços públicos ou privados, como universidades, centros culturais e hubs de inovação, que recebem atividades relacionadas ao festival.


