Pelotas: Motorista que atua na coleta de resíduos há mais de uma década diz que crianças o fazem se sentir um herói

Há 12 anos atuando na coleta de resíduos sólidos da cidade, o motorista Valter Rodrigues destaca a satisfação em exercer a função, inclusive em ações especiais. (Foto: Arquivo Pessoal)

A rotina de um motorista, independentemente da área de atuação, é recheada de aventuras e histórias para contar. Viagens dentro e fora do país, lugares e pessoas diferentes a todo instante são algumas constantes para quem vive essa vida. Mas os motoristas de serviço público, aqueles que costumam seguir todos os dias a mesma rota também têm muita história para contar.

Valter Rodrigues tem 41 anos e atua na coleta de resíduos sólidos de Pelotas há 12 anos pela empresa Onzeurb, terceirizada contratada pelo Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep). Nessa década de trabalho ele garante já ter visto de tudo e, principalmente, tido contato com muitas pessoas. “Muita coisa me marcou em todo esse tempo de coleta, várias coisas como as amizades que a gente vai criando, tanto com os colegas de trabalho como até a população, as pessoas, já que a gente atende praticamente 100% da cidade”, enfatiza.

Ele explica que o trabalho junto ao Sanep envolve diversos preparativos antes e após a saída às ruas. “Tudo tem planejamento, não é simplesmente sair para a rua e coletar, não é assim, os dias que dão mais lixo mesmo, na segunda e terça-feira por causa do final de semana que o lixo fica parado dois dias sem coleta orgânica, geralmente, são os dias mais puxados, principalmente para a gurizada que corre e pega o lixo, são os dias mais pesados que a gente chama”, detalha.

Para ele, entre todas as histórias que viveu e as amizades que fez, a parte mais marcante de sua rotina sem dúvidas envolve os pequenos pelotenses. “Uma coisa que me marca sempre, que eu me sinto talvez um super-herói, é quando a gente passa coletando em algum bairro ou alguma vila e as crianças saem para rua felizes da vida te aplaudindo, esperando que tu dê um sorriso para eles, ou um certinho, ou abanar”, conta.

O motorista ressalta que a emoção de ver o deslumbramento no rosto das crianças que costumam ver o caminhão da coleta passar o faz sentir como um herói, um exemplo para eles. “Eu não sei o que passa na cabeça deles, o que eles imaginam, acho que eles acham aquilo uma fantasia, um show, sei lá”, opina.

Talvez o que as crianças enxerguem ao ver Rodrigues no comando do caminhão que coleta resíduos diariamente seja reflexo da alegria que ele próprio estampa em seu dia a dia e na certeza da importância do trabalho que realiza. “Eu estou todo esse tempo na coleta de lixo porque eu gosto do que eu faço, eu amo o que eu faço, para estar aqui a gente tem que gostar”, finaliza.

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