Pelotas: Manifestação contra cortes de verbas da educação reúne pessoas no Largo do Mercado Central

Ato reuniu estudantes no Largo do Mercado Central, em Pelotas. (Foto: Luana Martini/JTR)

Na terça-feira à tarde (18), uma manifestação reuniu diversas pessoas – alunos, professores e outros cidadãos da comunidade que protestavam, principalmente, contra o corte orçamentário das instituições de educação superior, no Largo do Mercado Central. Cartazes, faixas e bandeiras tomaram conta do espaço, que também foi utilizado para dar lugar a falas de membros de instituições, núcleos, sindicatos e qualquer pessoa que desejasse expor sua opinião na ocasião. Após, houve uma passeata nos arredores do Mercado.

Membros de instituições como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul- rio-grandense (IFSul) expuseram seu descontentamento em relação as decisões por parte do governo federal  no que refere ao corte orçamentário que vem prejudicando o andamento da educação superior no Brasil. O último contingenciamento aconteceu no dia 30 de setembro, um percentual de 5,8%. Como consequência, R$ 328,5 milhões foram reduzidos no que refere ao recurso destinado às despesas das instituições. A reivindicação ficou evidente por meio de discursos e paródias de músicas, com mensagens específicas a respeito do cenário atual – seja ele político, educacional ou social.  Além disso, profissionais da educação básica também expuseram sua insatisfação com o seguimento do ensino nas escolas e o processo de aprendizagem.

Participantes promoveram falas e realizaram uma caminhada. (Foto: Luana Martini/JTR)

Suélen Costa, técnica administrativa do IFSul e doutoranda em Educação, disse que a manifestação objetiva a priorização da educação e de outros serviços prestados a população. “Nós somos um núcleo universitário […] e a educação não é uma prioridade desse governo. Os cortes da educação eles realmente estão trazendo impactos muito danosos para educação. Então, o importante é mostrar que estudantes, servidor está preocupado com isso e que a educação tem que ser uma pauta importante para qualquer governo. Independente que ele [governo] seja de esquerda ou direita, a educação, a saúde, os diretos básicos tem que ser pauta importante para quem está no governo e essa não tem sido a prioridade do Bolsonaro”, afirmou Suélen que, ainda, enfatizou a necessidade da volta de um governo que institua novas universidades, que invista em educação básica e superior gratuita, a fim de colaborar para o desenvolvimento da cidade especificamente.

Felipe Galeski, graduando em Engenharia Mecatrônica pela UFPel, afirmou que a ocupação do espaço expõe e torna ainda mais visível a causa e as reivindicações à população, fazendo-a questionar as ações do atual governo. “Quanto mais visibilidade o movimento tem, mais indaga a curiosidade das pessoas que não conhecem, mais indaga a vontade das pessoas [em relação] a essas barbáries que são ditas pelo presidente atual, por exemplo. O simples fato de isso aqui existir já faz as pessoas questionarem o que é bom, o que é ruim, o que está acontecendo agora, o que aconteceu antes”.

(Foto: Luana Martini/JTR)

O estudante ainda salientou que a ocasião serviu para exaltar governos anteriores e isso proporciona as pessoas que retomem “toda a afetividade que teve naquele período e todos os avanços que já foram feitos. Esse é o tipo de coisa que faz com que o pessoal se recorde e comece a dar valor ao que tinha em detrimento a esse governo que a gente tem agora”.

Felipe ainda declara que a universidade tem um papel importante no cenário no que tange a exposição da insatisfação frente ao governo. “Cada vez que a universidade faz movimentos, ela faz pressão no governo federal para tentar reverter esses cortes. O posicionamento dos estudantes também já significa que é uma classe que não está à mercê de manipulações de maneira tão simples […]. Esse movimento é para mostrar que as pessoas que estão dentro da universidade não são tão facilmente manipuláveis, pelo menos na minha visão, é pra mostrar que a gente está consciente”, disse.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome