Outubro Rosa: Mulheres que superam obstáculos na luta contra o câncer de mama

O Outubro Rosa é marcado pela promoção da conscientização em relação ao câncer de mama. (Foto: Freepik)

O Outubro Rosa é marcado pela promoção da conscientização em relação ao câncer de mama. No decorrer do mês, atividades que proporcionam acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento são desenvolvidas a fim de reduzir a mortalidade. A data é uma oportunidade de trazer à tona orientações, atividades e experiências que, juntas, criam uma estrutura de apoio às pacientes.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo que mais agride as mulheres em todo o mundo, assim como no Brasil. Cerca de 2,3 milhões de casos novos foram estimados para o ano de 2020 em todo o mundo, representando, aproximadamente, 24,5% de todos os tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres. Em 2021, no Brasil, foram estimados 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. As maiores taxas de incidência e mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Muitas mulheres já passaram ou ainda estão passando pelo processo de diagnóstico, seguido do tratamento. Diante da situação, têm utilizado as redes de apoio para superar o período de forma positiva.

A empresária Roberta Zielke descobriu a doença em abril, aos 40 anos, durante exame periódico devido ao histórico familiar – mãe e irmã também enfrentaram o câncer. (Foto: Luana Martini/JTR)

A empresária e estudante de psicologia Roberta Zielke foi diagnosticada em abril, aos 40 anos, após exames de rotina. Devido a antecedentes familiares – mãe e irmã acometidas pela doença -, desde os 20 anos ela realizava mamografias mensalmente; após os 30, semestralmente. Durante o exame realizado no dia 28 de abril, foi descoberto um nódulo na aréola do seio. Roberta conta que o período mais difícil foi justamente o diagnóstico.
“Acho que a parte mais difícil é tu teres o diagnóstico, porque mesmo tendo chance de ter – no caso do meu histórico familiar – a gente nunca espera, a gente acha que nunca vai ter […]. Quando eu descobri, pra mim foi como se eu tivesse parado no tempo e vi o passado na minha volta e o futuro (devido à experiência familiar), vem o medo”, conta Roberta, que também salienta que não esperava o diagnóstico porque seguia orientações médicas para não desenvolver a doença, como ter filhos antes dos 30, manter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos, etc.

Após o momento de descoberta, a empresária relata que escolheu enxergar a situação de uma forma diferente, mais positiva. “Eu aprendi a ter um outro olhar pra vida. Então foi isso que me deu força porque, no primeiro momento, quando eu tive a informação que era um câncer maligno e dos mais agressivos, pra mim foi um choque. Só que ao mesmo tempo eu não entrei no vitimismo ou na dor. Essa questão me trouxe uma força muito grande, de ‘vamos lá e vamos resolver isso’”, relata Roberta que também destaca como o processo de tratamento foi iniciado rapidamente.

“E eu acho que graças a minha posição de enfrentar, de não me sentir vítima, nem me sentir que eu era merecedora, porque as pessoas caem muito no vitimismo ou como se merecessem aquela doença. […] A primeira coisa é tu dar um sentido pra essa doença, que ela tem algo para te ensinar. Eu tenho aprendido muito. Eu poderia me tornar uma pessoa melhor e aprender muito com isso. E eu tenho certeza que, hoje, eu me sinto uma pessoa muito melhor – com muito mais fé, com muito mais tranquilidade”, ressalta, além de afirmar que, obviamente, os períodos de tristeza surgem, mas que tem buscado “abraçar” esse sentimento.

Ao longo do procedimento, Roberta diz que além do ponto de vista diferente em relação à situação, reconhecer o apoio de familiares, amigos e até mesmo desconhecidos é essencial. Devido à gravidade do câncer, era necessário realizar a cirurgia com brevidade. Por essa razão, mesmo realizando, atualmente, seu tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o processo cirúrgico precisou ser feito por meio de empresa particular. Assim, foi preciso arrecadar um valor específico e, nesse momento, a colaboração de muitas pessoas foi fundamental.

“Em menos de 24 horas eu consegui o dinheiro. Eram pessoas de outros países, que eu nem conheço. E tive uma rede de apoio muito grande, de amigos, pessoas e amigos dos amigos. Eu digo que eu fui muito abençoada”, conta a empresária e acrescenta que, após a cirurgia, sua primeira quimioterapia também foi mediada por doações decorrentes de outra arrecadação realizada posteriormente.

Atualmente, a empresária está na metade do seu tratamento quimioterápico, porém, nesse meio tempo, após efetuar um exame genético, foi descoberta a existência de BRCA2 – gene supressor de tumor. Por esse motivo, depois de sua última quimioterapia, marcada para dezembro, Roberta fará a cirurgia de retirada das mamas, visando prevenção.

Ainda, falando a respeito do processo de tratamento, a empresária diz que acontecimentos como a queda de cabelo ou a retirada das mamas geram sentimentos que debilitam as pacientes. Nesse momento, é necessário um encorajamento mútuo entre as mulheres, que ocorre por meio de iniciativas como doações de lenços, perucas e maquiagens, entre outras iniciativas. “Quando começa a cair os cabelos, quando nosso corpo começa a mudar, a gente se sente muito debilitada. A gente precisa desse carinho, de outras mulheres na nossa volta também. Acho isso muito importante, a gente estar muito acolhida pelas mulheres”, diz. Além disso, Roberta afirma que esse é um tempo de dar atenção ao autocuidado, ao amor próprio.

Roberta finaliza dizendo que se sente feliz mesmo diante das atuais circunstâncias, reforça a importância de olhar para a doença como uma oportunidade de aprender algo e, ainda, incentiva as mulheres a se prevenirem por realizarem o autoexame de toque, bem como o de mamografia. Também ressalta a importância de pedir ajuda e se permitir ser ajudada, assim como estar rodeada de pessoas queridas,como familiares e amigos.

Loja Rosa

O Instituto Buquê de Amor (IBA) é um importante instrumento na luta contra o câncer de mama. Atualmente, até o dia 31 deste mês, disponibiliza a Loja Rosa no Shopping Pelotas, que está em sua 9ª edição, com uma programação especial, de segunda a sábado, das 12h30 às 20h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h, com material informativo e venda de itens que resulta em verba revertida para mamografias, ultrassons e biopsias. O espaço está localizado próximo às Lojas Americanas e orienta a população sobre a importância do diagnóstico precoce, auxilia mulheres em tratamento contra a doença e incentiva a solidariedade, oferecendo cortes de cabelo gratuitos para ajudar a instituição na confecção de perucas.

Por meio da Loja Rosa, Instituto Buquê de Amor leva atividades que já realiza durante o ano ao Shopping Pelotas. (Foto: Luana Martini/JTR)

Localizado na rua Celso Benites, nº 62, no bairro São Gonçalo, em Pelotas, o Instituto, dentre muitas atividades, proporciona facilidade de acesso à mamografia para mulheres de baixa renda. Além disso, realiza atividades envolvendo reciclagem de materiais, doação de cabelos, banco de lenços, almofadas de coração, bolsa segura, camisetas, livro Laços da Mama, cremes e desfiles.

De acordo com a voluntária responsável pela marcação dos exames, Raquel Oliveira, as atividades oferecem desde acesso gratuito a objetos necessários durante o tratamento, como as almofadas de coração e a bolsa segura, até consultas com médicos apoiadores. Lembrando que as consultas estão disponíveis apenas para aquelas que realizarem cadastro previamente, comprovando sua situação como baixa renda. Já os outros serviços estão disponíveis a qualquer paciente gratuitamente.

Além disso, a oficina “De Bem com Você”, iniciada este ano, contribui para o aumento da autoestima de mulheres no início de seus tratamentos contra o câncer. Está à disposição das pacientes o acesso a técnicas de maquiagem compartilhadas por maquiadores profissionais, como design de sobrancelhas, colagem de cílios postiços, além da distribuição de lenços e kits de maquiagem para as inscritas.

Raquel, que também foi diagnosticada com câncer de mama, em 2017, aos 35 anos, é uma paciente metastática e deve fazer quimioterapia para o resto da vida. Ela diz que descobriu a ONG no mesmo ano de seu diagnóstico e que a mesma desempenhou um papel fundamental em sua caminhada. “Quando eu cheguei aqui, eu vi que não estava sozinha e que tinha várias outras meninas mais jovens que estavam passando [pela situação] e outras que já tinham terminado o tratamento e estavam bem, outras que seguiam o tratamento e que estavam bem. São histórias que vão chegando e que uma vai se apoiando na outra que é pra seguir em frente. Por que a gente pensa: ‘Poxa! Se ela pode, por que eu não posso? Por que eu vou me entregar agora? Por que eu não poso lutar como ela faz?”, conta.

AAPECAN

A Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (AAPECAN), Unidade Pelotas, também desempenha um trabalho essencial de apoio às pacientes acometidas pelo câncer de mama. As mesmas dispõem de atendimento social, psicológico, grupos de apoio e assessoria jurídica. Benefícios como fraldas geriátricas, kits, dietas e suplementos alimentares, entre outros, são garantidos mediante avaliação da equipe do Serviço Social. A Unidade oferece também oficinas de artesanato, sessões de Reiki e palestras informativas. Usuários hospedados na Casa de Apoio, além da acomodação, têm acesso a quatro refeições diárias elaboradas por nutricionista e transporte a hospitais e centros de tratamento oncológico.

De acordo com o assessor de comunicação, Michel Burkert, as atividades desenvolvidas durante o Outubro Rosa envolvem a carreata alusiva ao mês, seguida do lançamento dos banners provenientes do projeto ‘Incríveis Mulheres’- uma sessão de fotos realizada todo o ano com as pacientes, evidenciando suas qualidades mesmo durante um processo mais dificultoso – que são expostas na Rodoviária de Pelotas e que, se possível, também estarão disponível no Shopping Pelotas. Ainda, palestras são ministradas em diferentes locais, a fim de disponibilizar orientações sobre o tema ao maior número de pessoas.

Outras atividades efetuadas pela Associação ao longo do mês podem ser consultadas nas redes sociais, seja por meio do Instagram ou Facebook.

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