Embora os ecopontos de Pelotas desempenhem um papel essencial na destinação correta de resíduos recicláveis e volumosos, alguns materiais não devem ser encaminhados para esses locais. Entre eles estão os resíduos biológicos, químicos e domiciliares orgânicos.
De acordo com o coordenador do Departamento de Resíduos Sólidos do Sanep, Edson Plá Monterosso, resíduos biológicos com objetos cortantes ou contaminantes, como seringas e agulhas, precisam estar devidamente embalados em embalagens rígidas, preferencialmente com tampa, para evitar acidentes. Após protegidos, devem ser descartados junto à coleta domiciliar orgânica.
Já os resíduos químicos, como agrotóxicos, lâmpadas, pilhas e baterias, fazem parte do sistema de logística reversa. Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, os estabelecimentos que comercializam esses produtos são responsáveis por providenciar a destinação adequada. Exemplo disso é o descarte de medicamentos vencidos, que devem ser entregues diretamente em farmácias.
O descarte de embalagens de herbicidas é um dos grandes desafios ambientais de regiões onde a produção agrícola é intensa, como em Pelotas. Anualmente a Prefeitura promove, na zona rural, duas etapas de recolhimento de embalagens vazias. As ações acontecem, geralmente em junho e dezembro. O material entregue pelos produtores é recolhido nas administrações distritais e levado à Central Regional de Recolhimento, localizada no município do Capão do Leão, de onde as embalagens são transportadas para indústrias de reciclagem de fora do Estado.
Empresas privadas como a Basf, um dos principais fabricantes dos herbicidas usados na região, mantém programas próprios. Um deles é realizado em parceria entre a Basf e o Sistema Campo Limpo, programa nacional de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas, que também recebe embalagens vazias. Desde 2002, mais de 800 mil toneladas de embalagens já foram tratadas de forma adequada, em todo o país, segundo dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV).
Pouca gente sabe, mas latas de tinta só podem ser descartadas nos ecopontos se estiverem completamente vazias. Caso tenham sobras de tinta, devem ser destinadas aos pontos de logística reversa indicados pelos fabricantes.
O descarte responsável é recompensado
Separar o lixo reciclável pode trazer benefícios que vão além da preservação ambiental, a prática também garante descontos em contas e até dinheiro em carteira digital. A iniciativa está disponível no Shopping Pelotas e em outros pontos da cidade por meio da Retorna Machine, equipamento instalado pelo Grupo Equatorial Energia.
A máquina recebe embalagens pós-consumo destinadas à reciclagem e devolve ao usuário moedas digitais chamadas “tricoins”. O sistema funciona de forma gamificada e as moedas acumuladas podem ser trocadas por créditos em celulares pré-pagos, descontos em livrarias, abatimento na conta de energia, crédito para o iFood ou até convertidas em dinheiro em contas do PagBank, Mercado Pago, Ambipar Bank, além da possibilidade de transformá-las em créditos de carbono.
Ecopontos e destinos corretos
Atualmente, Pelotas conta com ecopontos que recebem cerca de 40 mil metros cúbicos de resíduos por ano. O material coletado é encaminhado para diferentes destinos, conforme o tipo, recicláveis vão para cooperativas conveniadas ao Sanep, pneus e eletrônicos para empresas especializadas, óleo de cozinha para a Usina de Reciclagem da cooperativa Nova Esperança, e entulhos para a Estação de Transbordo de Pelotas.
Entre os locais de destaque está o Ecoponto do Parque Tecnológico de Pelotas, criado em 2023 dentro do programa Parque Sustentável. Localizado na Avenida Domingos de Almeida, 1785, o espaço recebe resíduos eletrônicos, como notebooks e celulares, além de outros recicláveis, em parceria com a empresa Quimea – Inteligência Ambiental. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.




