Guirlandas de Natal garantem meses de cestas básicas em Pelotas

As amigas Fabiana Moglia, Adriana Fernandes e Sandra Espinosa, que coordenam o projeto. (Foto: Juliano Kirinus)

Uma ação que há 13 anos marca o clima de Natal em Pelotas vai muito além do que mobilizar centenas de pessoas em nome do valor artístico de um enfeite típico da maior festividade do Cristianismo. Se fosse só isso, seria digno de nota. No entanto, as Guirlandas de Natal têm um propósito que desde a sua primeira edição, em 2009, cumpre com louvor: garantir meses de cestas básicas às famílias em situação de vulnerabilidade social acolhidas pelo Banco de Alimentos Madre Teresa de Calcutá. Atualmente, 1,5 mil núcleos familiares cadastrados junto à entidade são beneficiados pela ação.

Neste ano, que marcou o retorno do evento em formato presencial após dois anos de versão online devido à pandemia do novo coronavírus, foram expostas, de 18 a 27 de novembro, em um espaço cedido pela arquiteta Luiza Olivé Leite na avenida Dom Joaquim (Zona Norte de Pelotas), 109 guirlandas – seis a mais que no ano passado.

O número de unidades ainda é inferior ao recorde de 135 em uma das edições realizadas, mas demonstra que a mobilização em torno do projeto começa a recrudescer após o impacto provocado pela crise sanitária – que no entanto não foi capaz de paralisar a iniciativa e muito menos a assistência prestada pelo Banco Madre Tereza de Calcutá, que tem coordenação de Eulalie Mello Fernandes. Em 2020, auge da pandemia, foram confeccionadas e expostas 82 guirlandas. No ano seguinte, 103.

“Não vamos parar nunca”, garante Adriana Fernandes, uma das coordenadoras da ação, que mais uma vez contou com o apoio das amigas Fabiana Moglia e Sandra Espinosa para executar a edição 2022 do Guirlandas de Natal.

Como funciona

Criadas por uma comunidade de arquitetos, decoradores, artistas plásticos, designers, artesãos, Guirlandas contribuem com a manutenção do Banco de Alimentos Madre Teresa de Calcutá. (Foto: Juliano Kirinus)

A partir de agosto, uma comunidade de arquitetos, decoradores, artistas plásticos, designers, artesãos e afins começam a ser mobilizados para criar uma guirlanda, que pode ser temática – em geral para um estabelecimento comercial como uma loja de roupas infantis – ou tradicional, modelo mais requisitado para ornamentar a decoração de Natal em uma casa de família.

Cada criação é doada ao Banco Madre Teresa de Calcutá, que faz a comercialização das peças – neste ano vendidas a R$ 800, o que gerou montante de R$ 87,2 mil. Todo o dinheiro será utilizado no Banco de Alimentos – uma das sete áreas de atuação da entidade (as outras são Banco de Leite, de Empregos, Medicamentos, Roupas, Material Escolar e a Casa da Acolhida, localizada na área rural de Pelotas (7º Distrito), que serve de creche para as mães de famílias que vivem na região tenham onde deixar os filhos para poderem trabalhar).

Encerrada a etapa de comercialização, na segunda quinzena de novembro é feita a Mostra das Guirlandas de Natal, que neste ano teve início dia 18, com a abertura do evento, denominada Noite das Bem-Aventuranças, inspirada no Evangelho de Mateus, capítulo cinco, versículo nove. Encerrou dia 27.

Adriana explica: “Bem-aventurados os que promovem a paz porque serão chamados de filhos de Deus’ – a ideia é que as pessoas reunidas naquela noite, os artistas que criaram as guirlandas, as pessoas que compraram para ajudar o Banco Madre Teresa de Calcutá, as que foram até o local prestigiar o evento, todas elas são bem-aventuradas porque estão ajudando a promover a paz de muitas famílias carentes”.

Dentre os bem-aventurados, Adriana cita pessoas físicas e jurídicas que desde a primeira edição do Guirlandas adquire uma unidade com o intuito único de dar apoio ao trabalho desenvolvido pelo BMTC. “Para ajudar mesmo, não tem outro motivo a não ser confiar no que é feito em favor de quem mais precisa”, reforça. Dentre esses, cita a concessionária Satte Alam, livraria Vanguarda, laboratório Rouget Perez, dentre outros.

Mas não apenas. Como Adriana reconhece, bem-aventurados todos os envolvidos, como a comunidade artística que se mobiliza na criação das guirlandas e profissionais das artes visuais como os professores do Instituto de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Lauer Alves dos Santos e José Luiz de Pellegrin, além do arquiteto Eduardo Horta. O trio é responsável desde a primeira edição do Guirlandas de Natal a montar a Mostra, o que garante, segundo Adriana, “que cada guirlanda tenha o seu brilho próprio”.

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