Faculdade Senac Pelotas promove maratona tecnológica com vistas à inclusão social

Alunos da área de TI da Faculdade Senac Pelotas elaboram projetos voltados para a inclusão social utilizando tecnologia como principal ferramenta; o desafio foi proposto no início da manhã deste sábado no Pelotas Parque Tecnológico, o onde ocorre o 3º Hackaton (Hacker+ton, de maratona), promovido pela Faculdade Senac Pelotas. (Foto: Roberto Ribeiro/JTR)

Sob o tema “A tecnologia aliada à inclusão social”, o Hackaton (Hacker+ton, de maratona), evento considerado o xodó dos cursos da área de Tecnologia da Informação da Faculdade Senac Pelotas, voltou à pauta da instituição nO sábado (17) após dois anos de ausência. A atividade que reuniu 43 inscritos, além de professores e profissionais da área, começou às 8h no Pelotas Parque Tecnológico. A previsão era de que se estendesse até as 23h.

As duas primeiras edições tiveram como tema as séries Casa de Papel, em 2018, e Game of Thrones, em 2019. Neste ano, a temática foi a Copa do Mundo. “Prevíamos fazer na véspera da abertura da Copa, mas optamos pela véspera da final para o pessoal sair daqui e ir torcer pelo Brasil, mas não deu”, brinca o professor Ângelo Luz, coordenador do Hackaton e dos cursos de TI da unidade.

Dividido em oito grupos, cada um representado por uma seleção que disputou as quartas de final da Copa do Mundo de Futebol, a edição deste ano apresentou o desafio de desenvolver ao longo do dia projetos que permitam por meio da tecnologia transformar realidades oprimidas pela vulnerabilidade social.

A apresentação do desafio, juntamente com as devidas orientações, foi a primeira atividade do dia. Ainda pela manhã as equipes entregaram um formulário do que seria trabalhado – ação que contou com apoio de “mentores” (profissionais da área) para “chegar no resultado mais interessante possível”, completa Luz.

A partir da tarde, coube arregaçar as mangas para desenvolver a solução a ser oferecida somente no turno da noite, a partir das 20h30, quando têm início as sessões de apresentação. Avaliados por professores e representantes das empresas patrocinadoras, todas da área de TI (Atlas, Cigam, Brainny, Melhor Envio, Sygnalgroup e Faculdade Senac), foram destacados os três mais bem avaliados desta 3ª edição do Hackaton, que tem entre seus principais objetivos conectar iniciativa privada e mão de obra qualificada. “O famoso networking”, informa Ângelo Luz.

Ele prossegue: “É conhecida a necessidade por profissionais de TI, as empresas precisam muito desses perfis e não conseguem encontrar, e as pessoas, por sua vez, precisam criar as conexões com as empresas pra conseguir as primeiras oportunidades, então a gente está aqui, tentando fazer essas conexões.”

O Hackaton, como nas duas edições anteriores, contou com a participação não apenas de estudantes da Faculdade Senac. A ideia é congregar aficionados pela área, independentemente da instituição de ensino. Desta vez havia também alunos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), a maioria de cursos relacionados a TI, como Análise de Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas para a Internet, entre outros. “Pessoal da área de Gestão também comparece, porque mal ou bem monta uma espécie de plano de negócio para apresentar”, afirma Luz.

No 4º semestre de Análise de Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade Senac Pelotas, Juan Schiavon, de 25 anos, optou por não sextar para no sábado sair cedo da cama e marcar presença no seu primeiro Hackaton.

O estudante Juan Schiavon, 25, do 4° semestre do curso de Análise de Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade Senac Pelotas, cujo grupo promoveu no 3° Hackaton uma plataforma para realocar no mercado de trabalho pessoas em situação de vulnerabilidade social. (Foto: Roberto RIbeiro/JTR)

No intervalo, no meio da manhã, ele demonstrava que havia tomado a decisão correta. Com mais quatro colegas, até então desconhecidos, Schiavon se mostrava confiante na proposta que naquele momento ainda estava em gestação: “Acredito que vai ficar bem legal, vamos até tarde da noite desenvolvendo o projeto.” O grupo, representado pela seleção de Senegal, pretendia desenvolver uma plataforma para realocar pessoas em situação de extrema vulnerabilidade no mercado de trabalho. “A ideia é trazer esta galera de volta por meio de iniciativas público-privadas (prefeitura e empresas). Oferecer um espaço em que se possa cadastrá-las, contratá-las, realocá-las e qualificá-las profissionalmente”, disse.

Papel cumprido

O diretor da Faculdade Senac Pelotas, Tiago Radmann, não escondia a satisfação. Para ele, o Hackaton vai totalmente ao encontro do modelo pedagógico proposto na unidade de ensino. “É preciso associar teoria e prática. Além da conexão com o mercado de trabalho, [a ideia] é colocar em prática tudo o que se desenvolve no curso – a gente não ensina num curso de Análise de Desenvolvimento de Sistemas ‘apenas’ a programar, a gente tem que ensinar a pessoa a se relacionar, a trabalhar com o diverso, com pessoas de outros segmentos, de outros setores, porque o programador em si é uma parte da engrenagem”, comentou.

Professor e coordenador dos cursos de TI da Faculdade Senac Pelotas, Ângelo Luz, e o diretor da unidade, Tiago Radmann, durante o 3° Hackaton, evento promovido pela Faculdade Senac Pelotas durante todo sábado no Pelotas Parque Tecnológico. (Foto: Roberto Ribeiro/JTR)

De acordo com Radmann, além da técnica, não se pode perder de vista as competências comportamentais do futuro profissional. “Tudo o que fazemos na vida faz parte de um contexto, e um evento como esse contribui muito nesse sentido”, destacou. “Hoje é sábado, praticamente o último fim de semana do ano, e a gente tem aqui quase 50 alunos interessados em desenvolver um projeto em sua área de atuação – isso é motivo de muito orgulho”, festejou.

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