Entre as tantas marcas presentes na 31ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce), uma delas traz mais do que sabores, carrega a própria história do evento e da tradição doceira de Pelotas: Dona Zilda. A fábrica especializada em doces cristalizados, criada em 1943, é conduzida hoje por Sérgio Sias, filho da fundadora Tusnelda Classen Sias, conhecida como Dona Zilda. Com mais de 80 anos de história, a empresa é símbolo de resistência, memória e sabor.
Desde a 3ª edição da Fenadoce, a Dona Zilda participa do evento, e sua fábrica montada no local se tornou uma das atrações mais queridas do público. “Somos provavelmente a doceira mais antiga em exposição na feira”, afirmou Sias. A presença na Fenadoce, no entanto, vai além da venda direta ao consumidor: “O que buscamos aqui são contatos que mantêm nossa produção durante o ano todo, com padarias, confeitarias e casas especializadas do Brasil inteiro.”
A empresa familiar iniciou sua trajetória em uma região colonial do interior de Pelotas. Foi a partir da necessidade que Dona Zilda começou a produzir doces para vender na cidade. Em 1943, ela e o marido, Nery Sias, fundaram a pequena fábrica de doces, que mais tarde se tornaria referência na produção artesanal. Com o falecimento de Nery, em 1974, Zilda assumiu o negócio ao lado dos filhos. Desde então, a fábrica manteve a produção com o mesmo cuidado artesanal, utilizando receitas tradicionais e processos rigorosos.
Durante a Fenadoce, cerca de 90% dos doces vendidos pela marca são produzidos ali mesmo, no espaço da fábrica montada na feira. “Diariamente produzimos entre 200 a 300 quilos de doces. A fruta já vem pré-processada, congelada, e aqui realizamos a etapa final, como cristalização e embalagem”, explicou. Além dos doces cristalizados, a linha da empresa conta com mais de 30 variedades, incluindo doces em massa e compotas, comercializadas também em embalagens de vidro.
O público que mais consome os doces, segundo Sias, é formado por pessoas com mais de 40 anos, que valorizam o sabor da tradição. “Adolescentes, em geral, não conhecem ou não consomem tanto. Já o pessoal mais velho aprecia mais esse tipo de doce. Temos clientes fiéis que visitam nossa banca todos os anos.”
Apesar da trajetória de sucesso, Sias alerta para a fragilidade do setor. “Hoje são poucas as famílias que ainda trabalham com doces cristalizados em Pelotas. A tradição está ameaçada. A própria Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) tem buscado formas de preservar essa herança. Muitos doces estão em risco de desaparecer”, disse.
Com sede no bairro Fragata, a fábrica continua operando onde Dona Zilda se estabeleceu décadas atrás. A memória dela permanece viva no carinho com que a família conduz seu legado.




